O ex-ditador chileno, Augusto Pinochet, assumiu "toda a responsabilidade" pelas suas contas secretas no estrangeiro e pela origem da sua fortuna, assegurando que a sua mulher e o seu filho, ontem detidos, não têm nenhuma participação nestes factos.
Pinochet emitiu uma breve declaração depois do juiz Sergio Muñoz ter ordenado a detenção da esposa do ex-ditador, Lucía Hiriart, e do seu filho menor, Marco Antonio, por cumplicidade numa milionária fraude tributária.
"Assumo toda a responsabilidade pelos factos que investiga o juiz Muñoz e nego toda a participação que neles tenham tido a minha mulher, os meus filhos e os meus colaboradores mais próximos", assinala a declaração.
"Se querem deter alguém, que seja a mim e não a pessoas inocentes", acrescenta o texto, naquela que é a primeira declaração pública de responsabilidade por actos ilegais levada a cabo pelo ex-ditador.
"Reitero que jamais defraudei o Estado nem obtive aproveitamento ilegal do exercício dos cargos que desempenhei. Entreguei, por razões de prudência - já que seria alvo de perseguições políticas - a instituições profissionais estrangeiras as minhas popupanças de vida. Se houve alguma diferença tributária, os meus assessores terão pago tudo o que era suposto", concluiu.
O serviço de impostos chileno calcula que o ex-ditador ter-se-á esquivado de pagar 5000 milhões de pesos (8,92 milhões de euros) em impostos.
No âmbito deste processo, o juiz ordenou o levantamento de uma excepção à imunidade vitalícia concedida a Augusto Pinochet, de 89 anos, para que o ex-ditador possa ser acusado por fraude e evasão fiscal. A decisão foi confirmada pelo Tribunal de Recurso de Santiago, mas o processo aguarda resposta ao apelo apresentado pela defesa ao Supremo Tribunal do país.


