Piratas receberam resgate de 2,7 milhões de euros.

Pesqueiro espanhol libertado após 47 dias de sequestro no Índico

17.11.2009 - 19:24 Por Nuno Ribeiro, Madrid

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Familiares mantiveram a pressão para que fossem libertados os tripulantes Familiares mantiveram a pressão para que fossem libertados os tripulantes (Vincent West/Reuters)
Após 47 dias de cativeiro terminou ao princípio da tarde o sequestro do pesqueiro espanhol Alakrana. A libertação do barco e dos 36 tripulantes, 16 dos quais espanhóis, foi anunciada pelos piratas, naturais da Somália, que referiram ter recebido um resgate de 2,7 milhões de euros.

“O pesqueiro navega livremente para águas mais seguras, todos os membros da tripulação estão sãos e salvos”. Foi com estas palavras que, em conferência de imprensa, o presidente do Governo espanhol, José Luís Rodriguez Zapatero, anunciou oficialmente o fim do sequestro. Escoltado pela fragata Canárias, o Alakrana, um barco congelador que se dedica à pesca do atum, ruma para as ilhas Seychelles onde aporta amanhã. Imediatamente, por avião, a tripulação será encaminhada para Espanha.

“Estou emocionado e todos nos sentimos aliviados”, comentou Iker Galbarriatu, comandante do barco, momentos depois dos piratas abandonarem o Alakrana e, segundo um seu porta-voz, terem declarado o barco como livre. Em Espanha, as famílias dos sequestrados puderam finalmente respirar de alívio.

As autoridades espanholas evitam qualquer referência ao pagamento do resgate que, no entanto, terá sido satisfeito pelo armador e por companhias de seguros. A base de operações das negociações foi montada nas duas últimas semanas na embaixada espanhola no Quénia, tendo como protagonistas o embaixador de Espanha, Nicolás Martin Cinto, o armador do pesqueiro e membros do Centro Nacional de Informações, a secreta espanhola. Os outros vértices da negociação foram os piratas, na Somália, e um escritório de advogados em Londres.

Foi na madrugada de 2 de Outubro, quando pescava em águas internacionais, fora do perímetro fiscalizado pela Operação Atalanta, da União Europeia, e sem bandeira espanhola, que o Alakrana foi interceptado. Quarenta e oito horas depois, dois piratas – Abdu Willy e Raagegeesey - são detidos pelos fuzileiros da fragata Canárias. A 12 de Outubro, ambos chegam a Espanha e são apresentados à justiça, acusados de associação criminosa, de 36 delitos de detenção ilegal, de roubo com violência e uso ilegal de armas.

O envio dos dois homens a Espanha suscitou polémica no Governo espanhol, entre os responsáveis da Defesa e a vice-presidente Maria Teresa Fernández de la Vega. Em causa estava a oportunidade da transferência dos detidos para Madrid, segundo os operacionais militares. Aliás, os sequestradores fizeram depender o fim do cativeiro de garantias da libertação de Abdu e Raagegeesey.

Hoje, o juiz Santiago Pedraz processou os dois homens por 36 delitos de detenção ilegal, roubo com violência e uso de arma. De fora, ficou a acusação de associação ilícita, pelo que a tramitação do caso vai ser mais célere. Admite-se, na capital espanhola, que os dois piratas devem ser julgados dentro de duas semanas. Entretanto, Espanha ultima com a Somália um acordo judicial, que permitirá aos condenados de ambos os países cumprir pena no país de origem. Ou seja, que os dois piratas actualmente detidos na cadeia de Alcalá Meco, estarão detidos no seu país antes do Natal.

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