Perito da ONU expulso do Zimbabwe vai recomendar acções contra Harare

29.10.2009 - 09:53 Por PÚBLICO
O perito das Nações Unidas sobre a tortura que foi expulso do Zimbabwe afirmou hoje à chegada à África do Sul que vai recomendar ao Conselho dos Direitos Humanos a tomada de acções contra aquele país africano.
Manfred Nowak considerou que a missão que o levara a Harare “falhou” e avisou que não pretende voltar ao Zimbabwe, onde se deslocara a convite do primeiro-ministro, Morgan Tsvangirai – cujo acordo de partilha de poder com o chefe de Estado, Robert Mugabe, está sob elevada tensão.
“Acho que nunca fui tratado de forma tão incorrecta por nenhum outro Governo como o fui pelo Governo do Zimbabwe”, afirmou, sublinhando que irá apresentar o seu relatório muito em breve e aconselhar que seja “tomada a acção necessária”, sem especificar porém que recomendações serão feitas.
O perito das Nações Unidas em tortura fora forçado a abandonar o Zimbabwe por agentes de imigração poucas horas após à sua chegada ao aeroporto de Harare na noite de quarta-feira. “Isto mostra claramente como está a funcionar a estrutura actual de poder do Governo de unidade, uma vez que o primeiro-ministro me convida para uma reunião mas não consegue garantir a minha entrada no país. Isto constitui um muito alarmante sinal”, avaliou, em declarações prestadas já esta manhã aos jornalistas em Joanesburgo.
O primeiro-ministro anunciara há duas semanas que suspendia todos os contactos com a facção presidencial no seu Governo de unidade, assim como com o próprio Presidente.
O jornal estatal zimbabweano “Herald” acusava Nowak, na edição de hoje, de ter tentado “forçar a entrada” no país, alegando que o perito da ONU fora informado antecipadamente pelo Executivo de que não podia visitar o país, uma vez que ali estava a decorrer uma cimeira dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Comunidade de Desenvolvimento do Sul de África. “O Governo tinha-lhe comunicado que ele teria que fazer a visita numa outra data”, sustentava o diário.
O convite feito a Nowak fora o primeiro jamais avançado pelo Zimbabwe a um perito do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, sendo considerado como “urgente” o desenvolvimento de uma missão independente da ONU no país dadas as persistentes alegações de estarem a decorrer nas últimas semanas detenções e acções de intimidação e perseguição a membros do Movimento para a Mudança Democrática, o partido de Tsvangirai, assim como de activistas dos direitos humanos.

