A China repetiu hoje estar em “oposição a todas as sanções unilaterais” contra o regime de Teerão, numa alusão à legislação, aprovada este fim-de-semana, nos Estados Unidos e que reforça as medidas punitivas sobre o sector financeiro iraniano. Uma decisão que vem em retaliação às recusas do Irão em abandonar o seu programa nuclear.
Para Pequim, “uma lei nacional não pode prevalecer sobre as regras internacionais e impor sanções unilaterais a outros países”, frisou porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Hong Lei – numa altura em que também a União Europeia está a ponderar um eventual embargo às exportações petrolíferas iranianas e um congelamento de relações com o Banco Central daquele país.
As novas medidas punitivas norte-americanas, promulgadas pelo Presidente Barack Obama no sábado permitem o congelamento de bens de qualquer instituição financeira ou empresa norte-americana ou estrangeira a operar nos Estados Unidos que efectue transacções com o Banco Central do Irão.
Aliado tradicional do Irão, a China é actualmente o principal parceiro comercial do regime de Teerão, com uma balança de trocas a ascender aos 30 mil milhões de dólares (e que não era de mais de 400 milhões há apenas década e meia).
As tensões no palco internacional estão actualmente ao rubro, depois de Teerão ter ameaçado fechar a circulação no estreito de Ormuz, canal estratégico para o comércio de petróleo na região, caso sejam aplicadas novas sanções contra o país – algo que o Pentágono e a Casa Branca descreveram como “novas provas de que a pressão internacional começa a ter consequências e que [o Irão] tem a noção de estar cada vez mais isolado”.
Este agudizar da situação ocorre depois de, em Novembro, a Agência Internacional de Energia Atómica ter revelado “fortes indícios” de que Teerão realizou testes e pesquisas que podem conduzir ao fabrico de bombas atómicas – dando aval às suspeitas repetidas há vários anos pelos Estados Unidos e outras potências ocidentais de que o programa nuclear do Irão tem propósitos bélicos e não de estrita produção de energia como é argumentado pelas autoridades iranianas.



