A China lançou hoje um aviso ao presidente de Taiwan, com o porta-voz da assembleia legislativa chinesa a afirmar que Chen Shui-bian "vai pagar caro" se mantiver os actuais movimentos independentistas na ilha.
"Se a administração de Chen Shui-bian continuar teimosamente por esse caminho [pró-independência], pagará caro por isso", disse Jiang Enzhu, porta-voz da Assembleia Nacional Popular (ANP) chinesa, a câmara legislativa do país.
Sem concretizar as afirmações, Jiang limitou-se a dizer que a situação no estreito de Taiwan é "carregada e complexa", em declarações durante uma conferência de imprensa de apresentação da agenda para o Plenário da 11ª ANP, que se inicia amanhã.
A ilha de Taiwan tem um governo próprio desde 1949, mas é vista por Pequim como uma província separatista a reunir a qualquer preço com o resto do país, se necessário pela força.
As relações políticas e diplomáticas entre a China e Taiwan vivem na actualidade um dos seus momentos mais tensos, uma vez que Taiwan se prepara para levar a cabo este mês um referendo em que propõe à população a tentativa de entrada da ilha nas Nações Unidas.
A China encara esta tentativa de entrada nas Nações Unidas (com a designação de "Taiwan" em vez da actual denominação formal de "República da China") como um passo para a independência da ilha.
"É um disfarce para um referendo à independência que, caso aconteça, irá ferir gravemente as relações entre os dois lados do estreito de Taiwan", considerou Jiang.
Jiang Enzhou referiu ainda que o plenário da ANP vai decorrer ao longo de duas semanas, até 18 de Março.
A ANP é o maior parlamento do mundo e conta este ano com 2.989 deputados, incluíndo os representantes de Macau.
A ANP é, no entanto, um órgão formal que valida as decisões da cúpula do Partido Comunista Chinês, que governa a China em regime de partido único, nunca tendo rejeitado qualquer proposta que o partido enviou enviado para apreciação.


