Pepinos espanhóis analisados não estão na origem das infecções na Alemanha

31.05.2011 - 16:07 Por Lusa, PÚBLICO
As autoridades de saúde pública de Hamburgo admitiram hoje que as bactérias encontradas em duas amostras de pepinos espanhóis já analisadas não são responsáveis pelas graves infecções que já causaram pelo menos 15 mortes na Alemanha.
Cornélia Prüffer-Storcks, senadora do governo regional de Hamburgo com o pelouro da Saúde anunciou nesta terça-feira que os investigadores do Instituto de Higiene de Hamburgo descartaram a possibilidade de terem sido as bactérias encontradas anteriormente em pepinos espanhóis a causar as infecções.
As mortes foram provocadas por uma estirpe da bactéria "Escherichia coli" que causa uma doença especialmente grave, anemia hemolítica microangiopática, cujos sintomas principais são diarreia com sangue e insuficiência renal. Essa variante da bactéria, designada por serotipo EHEC 0104, não foi encontrada nos pepinos espanhóis, reconheceu agora Prüffer-Storcks.
Os laboratórios do Instituto de Higiene de Hamburgo estão a analisar outros dois pepinos, um de origem espanhola, para procurar identificar a origem da variante causadora da infecção. Prufer-Storks adiantou que as investigações comprovaram que a variante EHEC 0104 da "E. Coli", isolada nas fezes dos pacientes internados, especialmente agressiva, não coincide com a variante detectada nas hortaliças espanholas do mercado central de Hamburgo. “A fonte (do surto infeccioso) ainda não foi identificada”, adiantou.
“A infecção pode ter sido provocada por sujidade”, disse a senadora. Além de estarem a procurar identificar o foco infeccioso, as autoridades sanitárias alemãs tentam também saber qual foi o motivo para a contaminação dos pepinos.
Por agora, o Instituto de Higiene de Hamburgo continua a fazer testes a tomates, pepinos e alfaces em mercados, outras lojas que vendam legumes frescos e restaurantes da cidade, para procurar a fonte da infecção.
A declaração da senadora vai ao encontro das explicações dadas pelos hortofruticultores espanhóis de Almeria e Málaga, que têm defendido que os pepinos não saíram contaminados da sua exploração, e que terão sido contaminados ou no transporte, ou no armazenamento.
As autoridades espanholas já ameaçaram processar judicialmente a Alemanha e pedir indemnizações pelos danos causados aos seus hortofruticultores, que viram praticamente paralisadas as suas exportações para a Alemanha.l Este país absorve normalmente dois terços do total da produção espanhola deste tipo de verdura
Novos casos de infecção
Uma nova morte ligada à bactéria Escherichia coli enterohemorrágica (EHEC) na Alemanha fez nesta terça-feira aumentar o número de vítimas mortais para 15. Há igualmente a registar a primeira morte fora da Alemanha, mas sempre relacionada com estadias naquele país: na Suécia, uma mulher perdeu a vida depois de ter estado na Alemanha.
Em Paderborn, Noroeste da Alemanha, morreu uma mulher de 87 anos contaminada pela bactéria EHEC. Mais de um milhar de pessoas na Alemanha e na Europa foram já contaminadas, de acordo com o instituto de controlo sanitário Robert Koch.

