Pelo menos onze pessoas morreram num ataque alegadamente lançado por mísseis americanos contra uma escola corânica fundada por um importante chefe taliban numa zona tribal paquistanesa, junto à fronteira com o Afeganistão, conhecida por abrigar rebeldes e extremistas ligados à al-Qaeda.
“Dois aviões não pilotados dispararam três mísseis sobre a escola, fazendo onze mortos”, declarou à AFP um responsável dos serviços de segurança. Todas as vítimas, de acordo com as testemunhas, são membros de tribos locais.
O ataque teria como alvo o chefe taliban Jalaluddin Haqqani, um dos alvos dos americanos naquela região do noroeste do Paquistão.
Frequentes desde há vários meses, os disparos de mísseis sobre zonas tribais provocaram tensões entre Washington e Islamabad, aliado desde 2001 dos Estados Unidos na sua “guerra contra o terrorismo”, mas acusado pelos EUA de nada fazer para lutar contra os extremistas.
O Parlamento paquistanês tinha-se reunido, à porta fechada, pouco tempo antes do ataque, para discutir uma moção apelando ao governo que aja “eficazmente” contra as operações americanas no seu território.
De acordo com os responsáveis dos serviços de segurança, a escola alvejada, próxima de Miranshah, a principal cidade do distrito do Waziristão do Norte, foi fundada por Jalaluddin Haqqani nos anos 80, em plena “jihad” contra a ocupação do Afeganistão pelos soviéticos.
A escola corânica, dirigida por um dos homens de Haqqani, o “mullah” Mansur, acolhia estudantes estrangeiros e locais, indica a AFP.
No dia 8 de Setembro, um ataque semelhante, dirigido contra outra instalação pertencente a Haqqani, tinha já feito 23 mortos, segundo os serviços de segurança.
Importante chefe tribal na luta contra o Exército Vermelho, entre 1978 e 1989, Haqqani era próximo do “mullah” Omar, o chefe dos taliban que esteve no poder em Cabul entre 1996 e 2001
Desde a queda do regime fundamentalista, tornou-se um dois chefes taliban mais activos nos ataques lançados a partir do Paquistão contra as tropa estrangeiras no Afeganistão, ainda de acordo com os serviços de segurança.
Islamabad tem vindo a protestar contra os ataques americanos nas zonas tribais, que se intensificaram desde a entrada em funções de um governo civil, em Março, argumentando que eles matam civis e põem em causa a soberania nacional.
As regiões povoadas de tribos “pashtun” – a etnia dos taliban – servem de esconderijo, de acordo com Washington e Cabul, aos taliban afegãos e a extremistas ligadas à rede terrorista al-Qaeda, graças ao apoio dos taliban paquistaneses.
Hoje, um responsável americano de visita a Cabul estimou que o Paquistão, apesar dos seus esforços, deveria fazer mais para eliminar os santuários dos taliban em seu território. “O Paquistão deveria atacar os rebeldes no norte do país (...) Os santuários dos taliban afegãos no Paquistão complicam as operações visando melhorar a segurança no Afeganistão”, declarou o subsecretário de Estado adjunto responsável pela Ásia Central e do Sul, Patrick Moon.
Sob forte pressão americana, o Paquistão desenvolve desde Agosto uma ofensiva contra os taliban e contra os combatentes ligados à al-Qaeda no distrito de Bajaur, a extremidade norte das zonas tribais, e já pagou um preço muito elevado pela sua aliança com Washington. As operações militares contra os islamistas no noroeste do país, nomeadamente nas zonas tribais, já custaram a vida, desde 2002, a 1300 soldados.


