Pelo menos 23 pessoas morreram e 150 ficaram feridas hoje de manhã num triplo atentado com carros armadilhados na cidade de Amara, no sul do Iraque, anunciou à AFP um responsável dos serviços de saúde locais.
Dez crianças figuram entre as vítimas, precisou Zamil Shia'a al-Oreibi, o director-geral dos serviços de saúde da cidade.
De acordo com um membro da polícia de Amara, o tenente-coronel Ali Kadhim Hassan, uma primeira explosão ocorreu no centro da cidade, às 10h30 locais (08h30 em Lisboa), seguida de duas outras, com poucos minutos de intervalo entre elas.
O exército britânico, que controlava até Abril de 2007 a província de Missane, da qual Amara é a capital, confimou uma das explosões. Um porta-voz do exército, o comandante Mike Shearer, precisou que o rebentamento atingiu um mercado da cidade xiita.
Amara, uma localidade com 350 mil habitantes, foi palco no passado mês de Outubro de violentos confrontos entre a polícia e as milícias xiitas que provocaram 24 mortos. Nessa altura, o exército iraquiano enviou para o local 3000 homens e impôs um cessar-fogo a fim de acalmar os ânimos.
Por seu lado, o primeiro-ministro Nouri al-Maliki, dirigiu uma severa advertência às milícias que disputam o controlo da cidade e da região, rica em petróleo.
Em Junho, as forças britânicas e iraquianas mataram 20 activistas durante uma operação contra as milícias xiitas que alegadamente recebem uma forte ajuda logística por parte de agentes iranianos.
A retirada do Exército britânico de Amara, em Agosto de 2006, deu origem a pilhagens e destruição de edifícios ocupados até à data pelas forças da coligação militar internacional. O Exército do Mahdi - a milícia do chefe radical xiita Moqtada al.-Sadr - festejou então a saída dos britânicos como uma vitória, afirmando ter sido o responsável pela libertação da cidade ocupada.
O triplo atentado de hoje é o último de uma série recente de ataques no país, após as ameaças proferidas no dia 4 de Dezembro pelo braço armado iraquiano da al-Qaeda de lançar uma nova campanha contra as forças governamentais e as milícias sunitas ligadas ao exército americano.
O Exército americano e as autoridades iraquianas afirmam, porém, que desde o fim do Verão que a segurança no Iraque melhorou consideravelmente, em particular em Bagdad, após o lançamento, em Fevereiro de 2007, de uma vasta ofensiva militar.


