Partidos oferecem guarda-chuvas para levar ao voto em Israel

10.02.2009 - 09:11 Por Maria João Guimarães
O dia de eleições em Israel começou com mau tempo, o que levou mesmo alguns partidos políticos a comprarem milhares de guarda-chuvas para tentarem levar às urnas o maior número possível de pessoas, conta a BBC online.
Um em cada cinco eleitores não tinha ainda decidido em quem votar, segundo as últimas sondagens, que previam resultados próximos para os dois principais partidos. A vantagem era dada ao Likud de Benjamin Netanyahu e ao bloco de direita, esperando-se ainda uma votação expressiva do partido russófono Yisrael Beitenu, que poderá ultrapassar o histórico Partido trabalhista.
No dia das eleições, com fortes ventos e chuva, o diário israelita Ha’aretz resumia o que vai decidir o vencedor: “Organização, organização, organização.” Havia medos em relação à participação, que nas últimas eleições, de 2006, foi de 63,2 por cento, a mais baixa na história de Israel.
O Likud começou a campanha com uma grande vantagem em relação ao centrista Kadima, que se foi esfumando nos últimos dias. O partido da ministra dos Negócios Estrangeiros, Tzipi Livni, foi subindo nos inquéritos de opinião, talvez como resultado do que o Ha’aretz dizia ser o voto “no contrário do que assusta mais”.
O partido de Lieberman foi um dos que atraiu mais a atenção na campanha com propostas radicais em relação aos cidadãos árabes de Israel, sugerindo um juramento de lealdade e advogando trocas de cidades árabes israelitas por colonatos judaicos na Cisjordânia. Quem tem medo deste tipo de propostas votará mais ao centro/centro-esquerda; quem tem medo de concessões territoriais votará mais à direita.
Vantagem à direita nas negociações de coligação
Qualquer partido que vença as eleições terá de entrar no complicado e demorado processo de negociações com vários partidos para conseguir uma coligação de governo estável. Estes dependem muitas vezes de formações mais pequenas que defendem interesses especiais, como o partido ultra-ortodoxo Shas, que tem entrado nos últimos governos.
Olhando para as previsões das sondagens parece mais simples ao bloco de direita conseguir deputados suficientes para governar, enquanto se espera que Livni enfrente maiores dificuldades em formar uma coligação mesmo que obtenha mais votos do que Netanyahu, sublinhava o comentador político Yossi Verter, do Ha’aretz, ao diário britânico The Guardian.
A campanha foi centrada especialmente em questões de segurança, embora o fim da ofensiva israelita em Gaza não tenha ainda dado lugar a um acordo para uma trégua de longo prazo com o Hamas, mesmo com negociações indirectas a decorrerem sob mediação do Cairo. Os problemas económicos de Israel, também afectado pela crise, foram relegados para segundo plano.
As urnas abriram às 07h horas locais (05h em Lisboa) e vão fechar às 22h (20h em Lisboa), seguindo-se projecções imediatas dos resultados.



