Os partidos dividiram-se hoje no debate parlamentar sobre a situação em Gaza, com PCP, Bloco e PEV a acusarem PS, PSD e CDS-PP de serem condescendentes com Israel neste conflito.
O debate foi motivado pela apresentação de votos de condenação ou de protesto de todas as bancadas, à excepção do PEV, acerca do conflito na Faixa de Gaza, envolvendo o Hamas e Israel e que já fez mais de 600 mortos.
No final, apenas foram aprovados os textos do PS, PSD e CDS-PP, sendo rejeitados os outros dois votos, do PCP e do Bloco de Esquerda, mais duros com Israel, em que se apela a um cessar-fogo às parte e uma solução negociada.
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, considerou “cínico” – em resposta a um aparte do deputado Fernando Rosas, do BE – que os votos dos bloquistas e comunistas não façam qualquer referência à “organização terrorista” do Hamas ou à “agressão terrorista” do movimento contra Israel.
O deputado do PS Vera Jardim manifestou a sua preocupação com a guerra, “que é sempre trágica”, e fez um apelo a que as partes, Israel e Hamas, façam “o caminho da paz e da segurança”.
PCP acusa Israel de acção criminosa
Pelo PCP, o deputado Jorge Machado advertiu que os comunistas não se identificam com “as acções e os objectivos do Hamas”, mas “os seus actos não podem servir de justificação para a acção criminosa de Israel”.
Tal como fizera Fernando Rosas, do Bloco de Esquerda, também o deputado João Machado criticou os votos do PS, PSD e CDS-PP por “não condenar de forma inequívoca a brutal agressão de Israel”.
Já Fernando Rosas apontou outras falhas aos textos do PS, PSD e CDS-PP, advertindo para os riscos da “neutralidade”: “Não há dois beligerantes com iguais responsabilidade. Não há. Há um agressor, o Estado de Israel, e um agredido, que é o povo da Palestina.”
O deputado do PSD Mário David condenou a “violência excessiva neste conflito”, lembrando os “sucessivos ataques e desrespeito” de acordos e fez um apelo a um cessar-fogo e a uma “solução política” para o problema.
Telmo Correia, deputado do CDS-PP, criticou a utilização da Faixa de Gaza para lançar morteiros contra Israel e, no texto do voto de condenação, fez um apelo às partes, incluindo Israel, para que “sejam respeitados os direitos humanos”.


