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Formação tem oito ministros no Executivo israelita

Partido Trabalhista vota demissão do Governo de Ariel Sharon

20.11.2005 - 18:11 Por AFP

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Sharon e Peretz (na foto) chegaram já a acordo para a antecipação das eleições legislativas Sharon e Peretz (na foto) chegaram já a acordo para a antecipação das eleições legislativas (Jim Hollander/EPA)
O Comité Central do Partido Trabalhista israelita votou hoje, por uma larga maioria, a demissão dos seus ministros no Governo de coligação liderado por Ariel Sharon, numa reunião onde o novo líder do partido apresentou as primeiras grandes linhas do seu programa político.

O novo “número um” trabalhista, o chefe da central sindical israelita Histadrout, Amir Peretz, apresentou hoje, pela primeira vez, as suas propostas políticas, tendo sido longamente ovacionado pelos presentes no Comité Central.

Na sua intervenção, Amir Peretz manifestou-se por uma retirada dos territórios palestinianos ocupados, por um processo de paz que “preserve os interesses dos dois povos” e pela criação de um Estado palestiniano ao lado de Israel.

“Devemos sair das areias movediças que são os territórios palestinianos”, considerou o responsável, sublinhando que essa retirada é uma “necessidade nacional de primeiro plano” para Israel.

Por outro lado, Amir Peretz reafirmou a posição tradicional do Partido Trabalhista contra uma retirada de Jerusalém-oriental anexado, proclamando que a “Jerusalém unificada” deverá ficar sob a soberania israelita e rejeitando todo o reconhecimento por Israel de um direito ao regresso dos refugiados palestinianos de 1948. O líder trabalhista apelou ainda ao eleitorado popular do Partido Likud (direita) de Sharon a “aderir à aliança social” sob a direcção trabalhista.

Os trabalhistas têm oito ministros e três vice-ministros no Governo israelita. Todos eles assinaram, na última semana, as suas cartas de demissão, a pedido de Peretz. Estas poderão ser entregues já amanhã no gabinete de Sharon.

Na última quinta-feira, o primeiro-ministro israelita e o líder do Partido Trabalhista chegaram a acordo para a antecipação das eleições legislativas, que deverão decorrer em Fevereiro ou Março do próximo ano.

Segundo Peretz, Sharon deverá anunciar a data exacta do escrutínio até amanhã, dia em que o Knesset (Parlamento) inicia o processo com vista à sua dissolução.

A antecipação das eleições, inicialmente previstas para Novembro do próximo ano, estava a ser ponderada desde a inesperada vitória de Peretz, que no dia 9 derrotou o histórico Shimon Peres nas eleições primárias do Partido Trabalhista.

Logo após a vitória, o sindicalista defendeu a saída dos trabalhistas do Governo de coligação com o Likud, sustentando que só assim o partido se poderia constituir como “uma verdadeira alternativa” a Sharon, quer no plano social e quer no processo de paz com os palestinianos.

Os trabalhistas, por iniciativa de Shimon Peres, aliaram-se ao Likud no ano passado, concedendo a Sharon o apoio necessário para concretizar a polémica retirada da Faixa de Gaza, contestada pela ala nacionalista e religiosa.

Numa posição de força, Peretz ameaçava mesmo apoiar uma moção de censura ao Governo apresentada pela extrema-direita, caso não fosse recebido esta semana por Sharon, a fim de agendar a marcação de eleições antecipadas.

Confrontado com a possibilidade de vir a governar durante quase um ano sem maioria no Knesset, Sharon acabou por defender a realização de eleições tão cedo quanto possível.

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