Partido de Benazir Bhutto decide participar nas legislativas

30.12.2007 - 16:01 Por PUBLICO.PT, Agências
O partido de Benazir Bhutto, a partir de hoje liderado pelo filho e pelo marido, vai participar nas eleições legislativas, apesar da situação de insegurança que se vive no Paquistão. O Partido do Povo do Paquistão (PPP) pediu também uma investigação da ONU ao assassínio da ex-primeira-ministra.
“Apesar da perigosa situação, vamos participar nas eleições, respeitando a vontade e os desejos delas”, afirmou Asif Ali Zardari, viúvo de Benazir Bhutto, na concorrida conferência de imprensa que se seguiu à reunião da cúpula do PPP, que teve lugar na vasta propriedade da dinastia Bhutto, em Naudero, no Sul do país.
No centro das atenções esteve Bilawal Bhutto Zardari, o primogénito da antiga primeira-ministra, que com apenas 19 anos sucede à mãe na presidência do histórico partido.
Na conferência de imprensa, o jovem prometeu vingar a morte de Benazir continuando a sua luta em prol da democracia no Paquistão. “A minha mãe sempre disse que a democracia é a melhor vingança”, declarou, lembrando a reacção de Benazir Bhutto após a morte do pai, deposto e enforcado pelo regime militar de Zia ul-Haq em 1979.
Benazir Bhutto terá deixado indicações para que fosse o marido a suceder-lhe na liderança do PPP, mas Zardari revelou ter decidido prescindir do lugar em favor do filho, assumindo-se como co-presidente da formação. Segundo o pai, Bilawal irá liderar a campanha para as legislativas, mas regressará à Universidade de Oxford para completar os estudos, permanecendo o pai como a figura forte do partido.
Os analistas referem que, com esta manobra, o PPP pretende recolher a simpatia dos eleitores nas legislativas, já que não recai sobre Bilawal qualquer suspeita de corrupção – ao contrário do que sucedia com os pais – ao mesmo tempo que Zardari tentará manter a estrutura partidária sob controlo.
Eleições podem ser adiadas
Zardari instou também o partido do ex-primeiro-ministro, Nawaz Sharif, a recuar na decisão de boicotar o escrutínio, obtendo pouco depois uma resposta positiva daquele que foi em tempos o principal rival de Benazir Bhutto. “Vamos participar nas eleições”, garantiu um porta-voz de Sharif, que após a morte da antiga primeira-ministra tinha dito que não estavam reunidas as condições para realizar o escrutínio.
Apesar do aval das duas principais formações da oposição, o partido que apoia o Presidente Pervez Musharraf, admitiu hoje, pela primeira vez, a necessidade de adiar o escrutínio, agendado para dia 8 de Janeiro, por um período de até três meses. A decisão da Liga Muçulmana do Paquistão surge na sequência da onda de violência que tem varrido o país desde o atentado que vitimou Bhutto e que levou já a formação a suspender todas as acções de campanha.
Família investigação da ONU
Durante a conferência de imprensa, Zardari defendeu que a ONU deveria criar uma comissão de inquérito internacional ao assassínio da antiga ministra, “do mesmo género” da que foi instituída para investigar o atentado que, em 2004, vitimou o ex-primeiro-ministro libanês, Rafiq Hariri.
“Estamos a escrever uma missiva às Nações Unidas para exigir um inquérito internacional ao martírio que ela sofreu”, declarou.
No entanto, a família recusa a hipótese levantada pelo Governo paquistanês de exumar o corpo de Benazir Bhutto para efectuar uma autópsia que ponha fim às especulações sobre a causa da sua morte.
“Decidi não dar autorização para que eles efectuem a autópsia. Vivi demasiado tempo neste país para saber como elas são feitas”justificou o viúvo, fazendo referência à possibilidade de o exame ser falseado.
O Governo paquistanês, que atribui o atentado à Al-Qaeda, afirma que a causa da morte foi uma hemorragia cerebral provocada pelo embate da cabeça de Benazir Bhutto contra o tecto de abrir do automóvel em que viajava. Admite que o embate acidental tenha sido provocado pela deslocação de ar causada pela explosão que se seguiu aos disparos.
A família garante, no entanto, que a causa da morte foram as balas que atingiram a dirigente, acusando as autoridades de se precipitarem nas conclusões para evitarem uma investigação mais profunda ao atentado.


