Partido Comunista da Coreia do Norte vai debater sucessão de Kim Jong-il

26.06.2010 - 12:15 Por Agências
O Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte vai reunir-se em Setembro num raro encontro do Comité Central, para escolher novos dirigentes, anunciou a agência oficial KCNA.
Os analistas sublinham que esta será a terceira reunião do género desde a fundação da República Democrática Popular da Coreia, em 1948.
Esta reunião deverá servir para analisar a sucessão do líder daquela que é uma das ditaduras mais fechadas ao mundo, Kim Jong-il, de 68 anos. A transição de poder deverá ser feita para o filho mais novo do actual líder, Kim Jong-Un, de 27 anos.
Tal como Kim Jong-il sucedeu ao seu pai Kim Il-sung, considerado o fundador da nação, em 1994, também Kim Jong-un deverá dar continuidade à liderança do actual “querido líder”, como é denominado na Coreia do Norte. A reunião poderá então servir para dar início a esse processo de sucessão.
Kim Yeon-Chul, professor da Universidade Inje na Coreia do Sul, disse à AFP que este encontro “terá um significado político enorme” porque deverá reforçar a posição do filho mais novo do actual líder. “É uma reunião extremamente rara. Os dois encontros anteriores foram em 1950 e em 1960”. Prevê-se que nesta reunião seja atribuído a Kim Jong-Un o estatuto oficial de sucessor.
Também Koh Yu-han, especialista em política norte-coreana na Dongguk University em Seul, disse à Reuters haver “uma grande possibilidade” de Kim Jong-un sair deste encontro à frente do comité político do Partido dos Trabalhadores. “Também é provável que se faça uma mudança dos quadros para preparar a organização para a sucessão”.
O processo estará também a ser acelerado devido a problemas de saúde do actual líder, sublinhou Won Sei-Hoon, director dos serviços de informação da Coreia do Sul. O filho mais novo de Kim Jong-il tem-no acompanhado frequentemente e desempenhado um papel cada vez mais preponderante na tomada de decisões políticas.
O anúncio sobre a realização da convenção do partido foi feito um dia após a passagem dos 60 anos sobre o início da Guerra da Coreia, que opôs o Norte ao Sul num conflito que se prolongou por três anos. A tensão entre os dois países aumentou em Março quando foi afundado um navio sul-coreano e uma investigação internacional concluiu que na origem do desastre, em que morreram 46 pessoas, esteve o lançamento de um míssil a partir de um submarino da Coreia do Norte.
Notícia actualizada às 13h31


