A Assembleia Nacional venezuelana aprovou ontem uma "moção de repúdio" na qual se declara "não grata a presença de George W. Bush na América Latina", no âmbito de périplo que o Presidente norte-americano vai realizar por vários países da região.
George W. Bush inicia amanhã uma viagem de uma semana pela América Latina, onde visitará o Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México.
"Repudiamos qualquer pretensão, mediante este périplo, de tentar isolar o Governo da República Bolivariana da Venezuela, ao Presidente Hugo Chávez Frías, pelo que se convoca o povo a estar alerta e mobilizado ante as novas manobras do império", refere o texto do documento, a que a Lusa teve acesso.
O "acordo de repúdio", que foi proposto pela deputada Autora Morales, do Movimento Quinta República (MVR, partido do governo), refere que os parlamentares venezuelanos "repudiam" as "ingerências e pressões" do Presidente norte-americano e chegaram a um consenso "para considerar como não grata a presença de George W. Bush na América Latina".
Os deputados da Assembleia Nacional são da opinião que o périplo pela região está "orientado para perturbar os avanços em matéria de integração económica, social, cultural e científica", mas também "de aprofundamento da democracia, fortalecimento da participação em assuntos públicos e de auto-determinação" em que sãlo soberanos os povos da América Latina.
Durante a sessão, em que foi aprovada a "moção de repúdio", Autora Morales acusou George W. Bush de procurar "vulnerar a vontade integracionista que impulsiona o Presidente Chávez" e de estar equipado "com um discurso e propostas para enganar e isolar" os países que visitará.
Afirma-se também que a unidade dos povos latino-americanos é vital para o processo revolucionário, liderado por Hugo Chávez, com vista a enfrentar as "pretensões hegemónicas e as ofertas enganosas de George W. Bush, que procuram competir com a nova política de integração que invade" a América Latina.
A moção acusou ainda os Estados Unidos de terem levado a cabo, no século passado, uma política exterior marcada pela ingerência nos assuntos internos de nações da América Latina e do mundo, "mediante intervenções militares sangrentas", além de impor um bloqueio económico à República de Cuba desde há mais de 45 anos.
Durante o debate, vários parlamentares chamaram George W. Bush de "assassino", falaram da intervenção do Iraque e da não existência de armas de destruição maciça naquele país, em alusão ao argumento que permitiu aos americanos avançarem com uma acção militar.


