Parlamentares árabes fazem em Lisboa um minuto de silêncio pelas vítimas no Egipto e Tunísia

31.01.2011 - 17:54 Por Ana Machado
A situação do Egipto e da Tunísia foi discutida esta segunda-feira na Assembleia Legislativa, em Lisboa, durante a conferência que reuniu 38 parlamentares dos países do Mediterrâneo, entre eles Líbano, Argélia, Marrocos, Síria, Turquia e uma delegação palestiniana. O tema era a cultura e imigração na região mas os recentes protestos no Egipto e na Tunísia provocaram intervenções emocionadas dos participantes.
A reunião da Assembleia Parlamentar Euro-Mediterrânica (APEM) começou com um minuto de silêncio pelas vítimas. Mohamed Tozy, um dos mais conceituados politólogos marroquinos, investigador de ciência política na Universidade Hassan II, em Casablanca, ressaltou o facto de no Egipto a revolução ser da classe média, de jovens informados, o que prova, segundo ele, que os movimentos de rua podem estar na origem de mudanças bem sucedidas.
Já Tayseer Qubaa, vice-presidente do Conselho Legislativo Palestiniano (parlamento), perguntou: “Nós estamos com o Egipto. Porque é que a UE não está connosco?” Qubaa não se conforma com o facto de que a onda de solidariedade europeia com os protestos na Tunísia e Egípto, não se aplique à causa da Palestina. “Estou certo que as alterações que estão a ocorrer no Egipto têm uma base política, não económica. Nós também estamos do lado do povo da Tunísia e do Egipto. Mas porque é que a Europa não está connosco? Francamente, a imagem que temos da Europa não é boa. Não vemos independência política nesta posição de dois pesos e duas medidas. Nós e os vizinhos árabes temos interesses comuns. Vamos ver o que acontece. Não vamos suportar mais esta diferença de tratamento”.
O representante palestiniano também sublinhou o efeito dominó que a situação do Egipto e Tunísia pode ter na região.
Já o marroquino Abdelmalek Aferiat, encara a posição do seu país, apontado como uma das peças mais instáveis neste efeito dominó, como distinta da do Egipto e por isso não entende as comparações. “Só posso exprimir solidariedade com os egípcios neste período de transição para a democracia, mas a situação dos nossos países é diferente. Temos em Marrocos um regime secular respeitado, com multipartidarismo e sindicalismo e liberdade de expressão”, disse o membro da Câmara de Conselheiros marroquina e chefe da delegação da APEM que visitou Lisboa.
Jorge Sampaio, presente no encontro como representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações, afirmou que esta situação egípcia lhe faz lembrar a história: “Refiro-me aos anos 1970, em Portugal e ao 25 de Abril. Esperemos que a revolução dos cravos inspire agora as transições para a democracia naquela região”.


