As urnas já encerraram no Paquistão, mas os primeiros resultados das eleições legislativas só deverão ser conhecidos dentro de algumas horas. A votação, pacífica na maior parte do país, ficou manchada pela morte de nove pessoas em incidentes nas províncias do Punjab e Sind.
As mesas de voto encerraram às 17h00 locais (12h00 em Lisboa), esperando-se que cerca da meia-noite local surjam os primeiros resultados das legislativas – as primeiras eleições democráticas realizadas no país desde que o general Pervez Muharraf assumiu o poder, em 1999.
O receio de novos atentados terá evitado uma afluência maior afluências às urnas que, segundo os primeiros dados, não terá atingido os 50 por cento.
O Ministério do Interior paquistanês já se congratulou com a forma pacífica como o escrutínio se desenrolou na generalidade do país, depois de uma campanha eleitoral marcada por sucessivos atentados, que custaram a vida a cerca de 450 pessoas.
Ainda assim, há registo de seis mortos em confrontos armados entre apoiantes de diferentes partidos na província do Punjab, a mais populosa do país. Duas outras pessoas foram mortas na região de Carachi, no Sul do país, e há ainda informações sobre uma nona vítima em Karak, no noroeste do Paquistão.
Estas vítimas elevam para 14 o número de mortos registados desde o dia de ontem, incluindo um candidato do partido do ex-primeiro-ministro, Nawaz Sharif, abatido junto à sede de candidatura em Lahore, principal cidade do Punjab. Dados recolhidos pela AFP dão conta de uma centena de feridos, em incidentes registados nestas regiões.
As legislativas deveriam ter-se realizado no mês passado, mas o atentado que custou a vida à antiga primeira-ministra e líder do maior partido paquistanês, Benazir Bhutto, levou Musharraf a adiar o escrutínio.
Esta manhã, em Rawalpindi, cidade onde Bhutto foi morta, o Presidente paquistanês apelou à reconciliação nacional e a um entendimento entre os principais partidos. Os analistas consideram, no entanto, que a estabilidade no país está dependente dos resultados das eleições – as sondagens davam vantagem ao Partido do Povo do Paquistão, liderado agora pelo marido e pelo filho de Bhutto – e das suspeitas de fraudes que vierem a ser levantadas.



