Paquistão: primeiros resultados apontam para vantagem da oposição

18.02.2008 - 21:19 Por AFP, PÚBLICO
Os primeiros resultados das eleições legislativas de hoje no Paquistão apontam para uma vantagem da oposição, anunciou um porta-voz do partido que apoia o Presidente Pervez Musharraf.
“Os primeiros resultados mostram que o partido [do ex-primeiro-ministro] Nawaz Sharif progrediu fortemente”, admitiu Tariq Azeem, porta-voz da Liga Muçulmana do Paquistão Qaid-e-Azam (PML-Q), que apoia Musharraf.
O responsável garantiu que “se estes resultados forem confirmados” o seu partido “desempenhará o seu papel de oposição o mais eficazmente possível”.
Outros responsáveis do partido, que falaram à AFP sob condição de anonimato, confirmaram que a coligação liderada por Sharif, a par do partido da antiga primeira-ministra Benazir Bhutto, morta num atentado a 27 de Dezembro, lideram a contagem dos votos, numa altura em que estão escrutinados cerca de dez por cento dos boletins.
Sinal de que o PLM-Q deixará de estar em maioria no Parlamento é o facto de o seu presidente, Chaudhry Shujaat Hussain, ter sido derrotado na sua circunscrição, na província do Punjab, a mais populosa do país.
“Estamos em choque com os resultados, mas infelizmente perdemos e o factor Nawaz Sharif desempenhou um grande papel na nossa derrota”, admitia um alto responsável do partido de Muharraf.
Primeiro-ministro em duas ocasiões, entre 1999 e 1993 e depois entre 1996 e 1999, Sharif foi afastado do poder pelo golpe de Estado liderado por Muharraf. Acusado de corrupção, Sharif passou os últimos sete anos no exílio antes de ser autorizado, tal como a sua antecessora, a regressar ao país para concorrer nas primeiras legislativas democráticas realizadas no país.
O escrutínio, que viria a ser adiado depois do atentado contra Benazir Bhutto, é visto como determinante não só para o restabelecimento da democracia no Paquistão como para o próprio Musharraf, já que se a oposição passar a controlar o Parlamento poderá forçar a revisão dos resultados da reeleição, em Setembro passado, do chefe de Estado.

