Paquistão: partido de Sharif abandona coligação governamental

25.08.2008 - 14:30 Por Reuters, PÚBLICO
O partido do ex-primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif decidiu abandonar a coligação no poder, acusando o Partido Popular do Paquistão (PPP) de violar os compromissos que assumiu quanto à escolha de um candidato presidencial e à recondução dos juízes do Supremo Tribunal.
"Estas faltas e violações repetidas forçaram-nos a retirar o nosso apoio à coligação no Governo e a ocupar um lugar na oposição", anunciou o líder da Liga Muçulmana do Paquistão-Sharif (PML-N, na sigla em inglês), durante uma conferência de imprensa, em Islamabad.
O PML decidiu ainda apresentar um candidato próprio à sucessão de Pervez Musharraf, na eleição parlamentar marcada para 6 de Setembro. Segundo a Reuters, a escolha terá recaído sobre o antigo chefe do Supremo, Saeeduzzaman Siddiqui.
Unidos na oposição a Musharraf, os dois partidos mais votados nas legislativas de Fevereiro entraram nas últimas semanas em rota de colisão, curiosamente na mesma altura em que atingiam o seu principal objecto: forçar a demissão do homem que liderava o país desde o golpe de Estado de 1998.
Na semana passada, o PPP designou como seu candidato presidencial Asif Ali Zardari, o viúvo de Benazir Bhutto e actual co-presidente do partido, deitando por terra as expectativas para a escolha de um nome consensual dentro da coligação.
Os dois partidos também não conseguiram entender-se sobre o futuro do Supremo Tribunal, com o PPP, parceiro maioritário do Governo a opor-se à recondução de todos os juízes depostos por Musharraf, como pretendia Sharif.
Apesar do fim da coligação, não é expectável que o PML peça a convocação de eleições antecipadas, uma vez que o partido de Bhutto, assassinada num atentado em Dezembro passado, deverá conseguir entre as pequenas formações o apoio necessário para continuar a governar.


