Paquistão lança caça aos atacantes da equipa de críquete

04.03.2009 - 12:08 Por Francisca Gorjão Henriques
Face a uma ausência total de provas, a polícia paquistanesa lançou uma caça ao homem para encontrar os responsáveis pelo ataque de ontem contra a equipa de críquete do Sri Lanka, em Lahore. As autoridades oferecem 125 mil dólares em troca de informações credíveis. Não se procuram apenas respostas para a pergunta “quem foi?”. Pretende-se também saber “porquê?”.
O atentado, que matou oito pessoas (incluindo seis polícias) e deixou seis jogadores feridos, não foi reivindicado, e essa é uma das razões por que tantas teorias começaram a correr na imprensa: aponta-se o dedo aos islamistas paquistaneses, a uma operação da arqui-rival Índia e ainda aos Tigres de Libertação do Eelam Tamil (LTTE), em guerra com o Governo do Sri Lanka.
Segundo o "Asia Times Online", a resposta está nos primeiros. O jornal noticia que o ataque foi da responsabilidade de “militantes do Punjab que querem extrair concessões do Governo”. O plano era tomar a equipa de jogadores como reféns, e não matá-los, afirmam “fontes de alto nível”.
De acordo com esta mesma investigação, o objectivo dos islamistas – que respondem a um comando conjunto do Punjab e de Caxemira, com base na região tribal do Waziristão Norte – era pedir em troca a libertação de militantes presos e a sua transferência em segurança para o Waziristão.
As autoridades interpelaram já duas dezenas de pessoas, “a maioria pertencente a organizações proibidas, na esperança de descobrir um indício que permita estabelecer a identidade dos terroristas que escaparam”, declarou à AFP um oficial da polícia, que não quis ser identificado.
Semelhanças com Bombaim
Dos atacantes sabe-se apenas que eram uma dúzia, jovens, com armamento sofisticado – e aqui encontram-se semelhanças com o grupo que tomou de assalto Bombaim, em Novembro passado, e matou 170 pessoas. Mas ao contrário dos atentados no centro económico da Índia, nenhum dos envolvidos na operação de ontem foi detido, ou morto. Todos estão em fuga.
O chefe da polícia de Lahore, Habib-ur-Rehman, salientou que a polícia conseguiu evitar uma carnificina. Muitos observadores apontam, no entanto, para as falhas na segurança que permitiram que os terroristas se diluíssem na cidade, com 10 milhões de habitantes, em plena luz do dia.
Num comentário publicado no "Wall Street Journal", o Presidente Asif Ali Zardari afirmou que “o ataque terrorista contra a equipa de críquete do Sri Lanka em Lahore mostra mais uma vez o mal que enfrentamos”. O chefe de Estado paquistanês assegura que o seu país não vai negociar com os taliban. “Esta é uma batalha existencial. Se a perdermos, o mundo também perderá. Falhar não é uma opção."
Alguns diplomatas ocidentais afirmam no entanto que os militares paquistaneses, tal como os poderosos serviços secretos (ISI) continuam a ter ligações a grupos como o Laskhar-e-Taiba (suspeito dos atentados de Bombaim e um dos candidatos a responsável pelos acontecimentos de ontem), nota o "Times".
O mesmo diário cita um general na reforma e antigo chefe do ISI, Hamid Gul, que afirmou publicamente que a operação contra os jogadores foi efectuada pelos tigres tamil com a ajuda dos serviços de informação indianos. “É muito óbvio que isto foi trabalho da secreta indiana”, disse.
Seja como for, há uma conclusão a que muitos analistas já chegaram: o ataque é mais um sinal da fragilidade do país e da sua dificuldade em combater o terrorismo. “Não existe um único local seguro no Paquistão”, afirmou à agência francesa o analista e investigador A.H. Nayar. “Os serviços de segurança são incapazes de assegurar a sua missão. Os islamistas e os extremistas estão aí, para desafiar todo o Estado. Esta situação é muito perigosa."

