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Nações Unidas contabilizam já 834 mil deslocados

Paquistão: iminente batalha entre exército e taliban em Mingora com milhares de civis encurralados

14.05.2009 - 11:46 Por Dulce Furtado, com agências

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Crianças deslocadas num centro de acolhimento das Nações Unidas Crianças deslocadas num centro de acolhimento das Nações Unidas (FAISAL MAHMOOD/Reuters)
O exército paquistanês prossegue hoje a ofensiva contra os taliban na região do vale do Swat, no noroeste do país, onde são registados já 670 mil civis deslocados das suas casas e pelo menos 200 mil se encontram encurralados na zona de combates travados às portas de Mingora, centro administrativo daquela região sob controlo dos rebeldes desde há dois anos.

A entrar já no 19º dia consecutivo do que as autoridades de Islamabad descreveram como uma ofensiva em larga escala para “eliminar” os taliban, o exército bombardeou intensamente supostos esconderijos dos combatentes islamistas nas zonas montanhosas dos distritos de Lower Dir e também por todo o vale – uma região a pouco mais de 80 quilómetros de distância da capital do país, dotado de armamento nuclear.

Um porta-voz dos militares asseverou que as tropas ainda não tinham avançado no terreno para dentro da cidade de Mingora onde, de acordo com testemunhos de habitantes no local, ouvidos via telefone pela agência noticiosa francesa AFP, os taliban continuam a manter o controlo das ruas. Estavam esta manhã a construir trincheiras e a minar todas as rotas de acesso, com o propósito não apenas de atrasar a chegada das forças regulares paquistanesas àquele derradeiro reduto rebelde mas também impedir o resto da população de se escapar – indicando um cada vez mais provável uso dos civis como escudos humanos.

Dos cerca de 300 mil habitantes de Mingora, apenas um terço conseguira deixar a cidade e mesmos estes estavam ainda na periferia do território que se espera estar na iminência de se transformar no palco de uma brutal batalha. Dois dias antes, os médicos que conseguiram escapar-se de Mingora garantiram que o hospital da cidade fora encerrado por falta de electricidade, de água e de medicamentos – um número elevado de civis, explicaram, fora deixado para trás, feridos nos bombardeamentos do exército ou pelos tidos dos combatentes taliban.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os refugiados (HCR) fez hoje mesmo uma revisão em alta do número de civis em fuga da zona de combates desde 2 de Maio: são já umas 834 mil pessoas. "É um êxodo maciço, maciço no mundo de hoje", avaliou o alto comissário das Nações Unidas para os refugiados, António Guterres, durante uma visita a um dos campos de refugiados, Yar Hussain, no distrito de Swabi.

Em visita aos Estados Unidos na véspera, o Presidente paquistanês, Asif Ali Zardari – após um encontro com o chefe de Estado norte-americano, Barack Obama –, apelou à comunidade internacional para se mobilizar e prestar ajuda aos civis e “evitar uma catástrofe humanitária”. Já ontem, numa curta escala em Londres, Zardari reiterou que o combate aos taliban é “uma tarefa a longo prazo”.

Zardari deu ordens expressas ao exército para combater os rebeldes a 26 de Abril passado, dois dias depois de a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ter feito soar sinais de alarme para a “ameaça mortal” existente no Paquistão, face ao avanço dos taliban. Sem poupar as autoridades paquistanesas, a chefe da diplomacia dos Estados Unidos acusou Islamabad de ter abdicado face aos terroristas quando, em Fevereiro passado, firmou um acordo de cessar-fogo permitindo aos taliban aplicarem a lei islâmica (sharia) na região do vale de Swat.


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Paquistao

E a saga da mortandade de SERES HUMANOS INOCENTES parece que vai continuar... Que interesses se ...

Joaquim Ferreira

14.05.2009 23:40

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