Paquistão: Carachi parou em protesto contra atentado de segunda-feira

01.01.2010 - 13:10 Por PÚBLICO
A capital económica paquistanesa, Carachi, praticamente parou por completo hoje na esteira do apelo à greve feito por líderes religiosos e políticos em protesto contra o atentado em que um bombista suicida matou 43 pessoas ao fazer-se explodir no meio de uma procissão xiita, segunda-feira, na cidade.
O atentado – que veio a ser reivindicado pelo Movimento dos Taliban do Paquistão, aliado da Al-Qaeda, com ameaças de mais ataques nos próximos dias – veio deixar sob ainda maior pressão o Presidente, Asif Ali Zardari, a quem a oposição exige uma estratégia eficaz para combater a rebelião no país.
Em visita a Carachi, o ministro do Interior, Rehman Malik, acusou os grupos rebeldes de estarem a “ferir” o país: “São assassinos contratados. São inimigos do Paquistão. São inimigos do Islão”, afirmou, em curtas declarações aos jornalistas.
Fortemente patrulhada pela polícia e paramilitares Carachi, terceira maior cidade do país, era hoje uma cidade vazia, com os seus residentes a não arriscarem sequer sair às ruas. “Já estamos a perder negócio mas não podemos correr o risco de ir abrir as nossas lojas. Se alguma coisa acontecer ou alguém aparecer e estragar algo ainda perco mais dinheiro, mais ainda do que poderia ganhar com a loja aberta todo o dia”, afirmava à agência noticiosa britânica Reuters Saleem Ahmed, vendedor de produtos electrónicos e electrodomésticos num dos mercados da cidade.
O ataque à procissão xiita (população minoritária no Paquistão, representando não mais que 20 por cento do total dos seus cidadãos) provocou uma vaga imediata de motins em Carachi, com lojas a serem assaltadas e carros incendiados nas ruas. Muitos opositores de Zardari apontaram o dedo directamente ao Governo pelo caos que ali se assistiu.


