Paquistão: Atentado em Peshawar mata 57 pessoas, com Hillary Clinton em Islamabad

28.10.2009 - 09:00 Por PÚBLICO
Uma violenta explosão esta manhã num movimentado mercado de Peshawar, no noroeste do Paquistão, causou a morte a mais de 57 pessoas e provocou centena e meia de feridos, muitas em estado grave, enquanto na capital do país a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, dava início a uma visita de três dias destinada a reforçar as relações de Washington com este aliado crucial no combate ao extremismo islamista.
Foi aliás poucas horas após a chegada da chefe da diplomacia dos Estados Unidos ao Paquistão que o mercado de rua de Peepal Mandi, na zona histórica de Peshawar se viu varrido pela brutal explosão de um carro armadilhado, com muitos edifícios circundantes a ficarem imersos em chamas. “Foi uma explosão enorme, ouviu-se em toda a cidade”, descreveu um dos responsáveis da polícia local ouvido pela agência noticiosa francesa AFP.
Fontes hospitalares dão conta de que o balanço de vítimas mortais pode mesmo vir a ascender a mais de 70. O atentado não foi ainda reivindicado mas surge na esteira de vários outros levados a cabo nas últimas semanas pelo Movimento dos Talibans do Paquistão que se saldaram em mais de 200 vítimas mortais apenas neste mês de Outubro.
O país está em elevado estado de alerta face aos repetidos ataques retaliatórios dos militantes conforme o exército paquistanês avança na ofensiva – lançada a 17 deste mês – contra os bastiões montanhosos dos rebeldes do Waziristão do Sul, junto à fronteira com o Afeganistão.
A militância islamista no Paquistão tem vindo a acentuar-se ao longo dos últimos dois anos, com os rebeldes ligados à Al-Qaeda fortemente implantados nas zonas tribais do país. As autoridades registam um balanço de umas 2.300 pessoas mortas na vaga de atentados a que se assiste desde então, levados a cabo sobretudo por bombistas suicidas do movimento taliban no país.
Os Estados Unidos olham para este crescendo de violência com enorme apreensão – e não menos para os avanços no terreno que a rebelião obtém esporadicamente, como aconteceu em Maio passado no vale de Swat a poucos quilómetros de distância da capital paquistanesa, país dotado de armamento nuclear.
Clinton, que faz aqui a sua primeira visita ao Paquistão depois de assumir a chefia da diplomacia norte-americana, sublinhou que os Estados Unidos pretendem “reforçar” a relação com Islamabad, alargando mesmo a cooperação para além da luta antiterrorista. E expressou a vontade de “virar a página” dos “mal entendidos e dos erros de comunicação” entre os dois países.
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