Em protesto contra a candidatura do chefe de Estado à presidência

Paquistão: 85 deputados anti-Musharraf pediram a demissão

02.10.2007 - 11:13 Por AFP

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Os dois candidatos rivais de Musharraf ainda tentam impedir a candidatura do general Os dois candidatos rivais de Musharraf ainda tentam impedir a candidatura do general (Zahid Hussein/Reuters)
Oitenta e cinco deputados da oposição pediram a demissão, colectivamente, do Parlamento do Paquistão, em protesto contra a candidatura do chefe de Estado Pervez Musharraf à presidência do país, no dia 6 de Outubro, afirmando que a sua intenção é anticonstitucional.

A demissão em bloco, anunciada há vários dias, não irá, porém, colocar em causa a muito provável eleição do general Musharraf: o escrutínio é feito por sufrágio indirecto dos membros do Parlamento e das assembleias provinciais, e o chefe de Estado demissionário dispõe ainda de uma larga maioria de apoiantes.

A Assembleia Nacional, a câmara baixa do Parlamento, conta com 342 deputados.

Os 85 deputados, do Movimento de Todos os Partidos para a Democracia, que reagrupa todos os partidos da oposição, laicos e confessionais, nomeadamente os movimentos fundamentalistas muçulmanos próximos dos taliban, apresentaram a sua demissão ao presidente da Assembleia Nacional.

"Remeteremos a nossa demissão hoje, porque consideramos que a candidatura do Presidente é ilegal e anticonstitucional", explicou Liaquat Baloch, membros da aliança.

Supremo aceitou candidatura de Musharraf
Esta demissão colectiva acontece quatro dias depois de o Supremo Tribunal ter considerado admissível a candidatura de Musharraf, apesar de o chefe de Estado enfrentar uma onda de contestação sem precedentes desde que chegou ao poder, há oito anos.

A oposição e a Ordem dos Advogados paquistanesa tinham introduzido recursos invocando a Constituição que, segundo eles, interdita Musharraf de participar na eleição se não se demitisse das suas funções de Chefe de Estado-maior do Exército, que já ocupava quando ocupou o poder, em Outubro de 1999, num golpe de Estado pacífico.

O Supremo não colocou, porém, em causa o facto de a Constituição impor ao general Musharraf o abandono das suas funções de chefe dos Exércitos se for eleito Presidente, coisa que Musharraf prometeu fazer se sair vencedor das eleições do próximo sábado.

Os dois candidatos rivais de Musharraf voltaram a introduzir, hoje, recursos perante o Supremo Tribunal contra a candidatura do general.

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