O Papa Bento XVI apelou ontem à tarde, em Luanda, a que as autoridades políticas africanas tudo façam para que seja erradicada “de uma vez por todas a corrupção”. Ao mesmo tempo, afirmou a sua oposição ao aborto terapêutico.
Falando perante o Presidente José Eduardo dos Santos, autoridades civis e políticas, e o Corpo Diplomático acreditado em Luanda, Bento XVI pediu que África se liberte do “flagelo da avidez, da violência e da desordem”. Respeito pelos direitos humanos, governação transparente, magistratura independente, comunicação social livre e funcionalismo público eficaz foram alguns dos factores referidos pelo Papa no seu discurso.
Para isso, é necessária uma "firme determinação, baseada na conversão dos corações", acrescentou o Papa. De acordo com o relatório da Transparecy International citado ontem pelas agências, Angola ocupava, em 2008, o 158º lugar em 180 no que diz respeito à percepção da corrupção.
Combater a pobreza é “um imenso empreendimento que requer o maior civismo por parte de todos”, acrescentou o Papa.
À chegada a Luanda, no aeroporto 4 de Fevereiro, o Papa lamentou que Angola, um país rico em petróleo, mas onde dois terços da população vive com menos de dois dólares por dia, “haja infelizmente tantos pobres que pedem o respeito dos seus direitos”.
Citado pela AFP, o Papa Ratzinger acrescentou que não é possível esquecer a “multidão de angolanos que vivem abaixo do limiar da pobreza absoluta”. E pediu: “Não desiludam as esperanças deles.”
No discurso com que acolheu Bento XVI, o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos afirmara que estava disponível para negociar um acordo internacional com o Vaticano.
Essa possibilidade tem sido falada nos bastidores e os bispos angolanos vêem num tal acordo a possibilidade de exercerem uma acção mais eficaz em várias áreas sociais. O alargamento da rede de emissores da Rádio Ecclesia, da Igreja Católica – actualmente confinada à área de Luanda – é um dos objectivos imediatos perseguidos pelo episcopado angolano.



