Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países do golfo árabe anunciaram que vão reunir-se com o homólogo russo, Serguei Lavrov, na próxima quarta-feira, em renovada tentativa para encontrar uma solução diplomática para a crise na Síria, onde as forças do Presidente Bashar al-Assad prosseguem hoje o assalto terrestre à cidade de Homs.
Um dia depois do início daquela operação, as comunicações com o distrito de Bab al-Amro estão todas cortadas. É virtualmente impossível a circulação de pessoas, quer para dentro ou para fora daquela zona da cidade, onde permanecem bolsas de resistência ao regime – contestado numa revolta popular em todo o país que se arrasta há já quase um ano com um saldo de mais de 7.500 mortos, de acordo com as organizações sírias de activistas dos direitos humanos.
Há mais de um mês que Bab al-Amro está a ser bombardeada pelas forças leais a Assad e muitos dos estimados cem mil habitantes da zona terão conseguido escapar-se antes, mas não existem relatos suficientemente credíveis para afiançar quantas pessoas estão ainda na zona, fortemente cercada pelo exército sírio.
O movimento de tropas terrestres em volta daquele bairro começou a intensificar no início desta semana e ontem as ruas começaram a ser tomadas, com responsáveis do Governo sírio a afirmarem ao fim do dia ter obtido o controlo de Bab al-Amro.
Activistas da oposição negam porém estas declarações, sustentando que os combatentes da rebelião estão a conseguir impedir o avanço dos soldados de Assad pelas ruas do distrito.
“Eles estão a tentar entrar em Bab al-Amro, mas o Exército Livre da Síria [rebelde] está a ripostar”, garantiu um destes activistas à BBC, descrevendo ainda que a situação naquele distrito é “simplesmente miserável”.
Muito críticos à repressão exercida por Assad contra o que começou como um movimento pacífico de contestação – com as primeiras manifestações, em meados de Março de 2011 contra a corrupção – os países do golfo árabe vão “expressar [o seu] desapontamento em relação à posição assumida por Moscovo” nesta crise, num encontro com o chefe da diplomacia da Rússia agendado para a próxima semana em Riade.
A Rússia, tal como a China, vetaram já várias tentativas de adopção de resoluções no Conselho de Segurança das Nações Unidas a condenarem a repressão do regime sírio.



