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Islão na Europa

Os suíços têm medo dos minaretes e não são os únicos na Europa

08.11.2009 - 12:46 Por Sofia Lorena

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O cartaz do SVP mostra uma bandeira suíça de onde saem minaretes em forma de mísseis atrás de uma mulher de chador O cartaz do SVP mostra uma bandeira suíça de onde saem minaretes em forma de mísseis atrás de uma mulher de chador (Arnd Wiegmann/Reuters)
Uma torre não é só uma torre, quer se erga no cimo de um castelo, de uma mesquita ou de uma igreja. Um minarete não é nem nunca foi só uma torre. Na Europa, tem-se tornado num dos símbolos de tensão entre grupos de não muçulmanos, que vêem os crentes do islão como estranhos à sua cultura e identidade, e comunidades muçulmanas que, cada vez mais integradas e orgulhosas, querem dar visibilidade aos seus templos.

Os 400 mil muçulmanos da Suíça têm 180 locais de culto, a maioria em edifícios industriais ou salas, "soluções improvisadas sem representatividade exterior, longe dos bairros simpáticos", diz Andreas Tunger-Zanetti, do Centro de Investigação em Religião da Universidade de Lucerne. Só há quatro mesquitas com minaretes no país e em nenhum local de culto se ouve o muezzin, a chamada para a oração.

Mas, nos últimos anos, os muçulmanos de pequenas cidades da Suíça alemã decidiram pedir autorização para construir novas mesquitas com minaretes. Primeiro, alguns habitantes começaram a recolher assinaturas contra as torres. Depois, o Partido do Povo Suíço (SVP) resolveu coordenar uma campanha nacional. Como na Suíça 100 mil assinaturas chegam para convocar um referendo, no dia 29 os eleitores serão chamados a votar. Se disserem "sim", a frase "a construção de minaretes é proibida" será acrescentada à Constituição, a mesma que prevê a liberdade religiosa.

As sondagens dão vantagem ao "não" - 51 por cento contra 35 por cento -, mas o debate e as suas potenciais cicatrizes estão para ficar.

Os promotores da campanha descrevem as torres como símbolo da "intolerância islâmica". "Se queremos impedir a sharia [lei islâmica], temos de proibir os minaretes", explicou Walter Wobmann, um deputado do SVP, citado na imprensa local.

Em causa, portanto, não estão os muçulmanos, mas a sua aparente determinação em islamizar a Suíça, sustentam. Tunger-Zanetti também não acredita que a questão tenha a ver com a presença de muçulmanos, mas com a tomada de consciência de que o islão não está de passagem: "A construção de um minarete indica que a comunidade vai ficar. É isso que a sociedade suíça só agora está a perceber", disse ao PÚBLICO.

Num estudo intitulado "Conflitos sobre Mesquitas na Europa", promovido pela Network of European Foundations e dirigido pelo sociólogo Stefano Allievi, conclui-se que nos últimos 20 anos as mesquitas (ou os minaretes) geraram "cada vez mais e mais frequentes disputas, mesmo em países onde estes conflitos não existiam e as mesquitas já estavam presentes".

Isso acontece independentemente da relação de cada país com o islão - nas nações onde o islão chegou nos seus primeiros séculos, nos países que colonizaram nações muçulmanas ou naqueles onde o islão quase só chegou através da imigração, no século XX.

Os conflitos crescem, "mesmo em países onde o processo de inclusão já fez mais caminho", escreve Allievi. Muitas vezes, os aspectos questionados não são visíveis ou sequer existentes nos países em que estas tensões irrompem. Diferentes acontecimentos, fruto de fundamentalismos mais ou menos locais, tornaram-se tema global. A fawta (édito religioso) contra Salman Rushdie veio do Irão, os cartoons de Maomé provocaram protestos em países muçulmanos, alguns suicidas do 11 de Setembro viviam na Europa, Theo van Gogh foi assassinado na Holanda, houve ataques em Londres e Madrid, o hijab (lenço islâmico) foi debatido até onde é pouco comum.

Na Suíça, sustenta Tunger-Zanetti, os promotores da campanha antiminaretes alimentam-se "de um desconforto generalizado com alguns fenómenos associados, correcta ou incorrectamente, ao islão, como as burqas, a repressão das mulheres, a intenção de expandir a influência muçulmana". Para o conseguir, explica, "insinuam episódios ou estatísticas de países europeus ou muçulmanos, mas a cadeia de "provas" é tão fraca que não pode ser encarada como um argumento". É, "na verdade, uma expressão desse desconforto e da incapacidade que muitas pessoas têm em encontrar o seu espaço numa sociedade multicultural e multirreligiosa".

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