Os sinos tocaram nas várias igrejas de Praga, vários líderes mundiais prestaram homenagem ao líder da Revolução de Veludo que derrubou o regime comunista na Checoslováquia. Vaclav Havel foi sepultado nesta sexta-feira na capital da República Checa.
Ao meio dia fez-se um minuto de silêncio, os sinos das igrejas tocaram. E milhares de pessoas quiseram despedir-se do antigo Presidente, que liderou a revolução quase sem sangue que pôs fim ao regime comunista. Cinco dias após ter sido anunciada a sua morte, aos 75 anos, Vaclav Havel foi homenageado no castelo de Praga, onde teve lugar uma missa em sua memória.
Vários líderes mundiais estiveram presentes no funeral, incluindo a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton e o marido, o ex-Presidente Bill Clinton, o Presidente francês Nicolas Sarkozy ou o primeiro-ministro britânico David Cameron. O arcebispo de Praga leu uma mensagem do Papa, Bento XVI, que salientou a coragem de Vaclav Havel na defesa do respeito pelos direitos humanos, bem como a sua liderança.
“Ao lembrar a coragem de Vaclav Havel, ao defender os direitos humanos numa altura em que estes eram sistematicamente negados à população do seu país, e ao prestar tributo à sua liderança visionária, agradeço a Deus pela liberdade de que o povo da República Checa agora desfruta”, disse Bento XVI no comunicado que enviou ao arcebispo de Praga.
Na catedral de São Vito, no castelo de Praga, estiveram 50 delegações internacionais, 15 delas lideradas por chefes de Estado. “Toda a Europa está reunida em torno da memória de Vaclav Havel. E qual foi a mensagem deste homem? Ter convicções, bater-se por elas, privilegiar o diálogo e o respeito, olhar para o passado e tirar conclusões para o futuro”, disse pouco antes da cerimónia fúnebre o Presidente francês Nicolas Sarkozy, citado pela AFP.
O actual Presidente checo, Vaclav Klaus, lembrou o Presidente, político, intelectual e artista que foi Vaclav Havel, “um homem que será recordado com reconhecimento e respeito”. E Madeleine Albright, antiga secretária de Estado norte-americana, nascida em Praga e amiga pessoal de Havel, considerou que o líder da Revolução de Veludo de 1989 “trouxe luz a locais de profunda escuridão”. E adiantou: “Foi um dos homens mais respeitados do mundo”, um homem que, adiantou, acreditava “não ter feito tudo aquilo que poderia ter feito”.
Portugal esteve representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas. “Vaclav Havel foi o rosto de uma coragem única que mudou a Europa”, disse à agência Lusa. “No século XX, numa terra duplamente invadida e oprimida, a vitória sobre o totalitarismo veio pela não-violência e chegou pela exposição à verdade”, adiantou.
A cerimónia fúnebre foi transmitida em directo pela televisão e este foi o primeiro funeral de Estado da história da República Checa. Vaclav Havel foi o décimo presidente da Checoslováquia (1989-1992) e foi o primeiro chefe de Estado da República Checa, o novo país que surgiu depois da separação da Eslováquia em 1993, cargo que ocupou até 2003.
Junto ao castelo de Praga, a sede da presidência checa, foram instalados ecrãs gigantes, e houve quem fizesse dezenas de quilómetros para estar presente. Como Alena Bartonova, de 33 anos, que veio de Karlovy Very, a 120 quilómetros de Praga, com o filho de seis anos e um ramo de flores na mão. “”Vaclav Havel foi uma autoridade moral, um símbolo do fim do comunismo”, disse à AFP. “É como se tivéssemos perdido um familiar”.



