Se, este mês de Janeiro, se realizassem na Cisjordânia e Faixa de Gaza eleições legislativas (só previstas para 2010) e presidenciais, os vencedores seriam a Fatah e Mahmoud Abbas (cujo mandato expirou ontem), revela uma sondagem conduzida entre 3 e 5 de Dezembro de 2008, antes da operação militar israelita. Ainda mais significativo: 74 por cento dos palestinianos era a favor de uma extensão da trégua com o Estado judaico.
As conclusões são do Palestinian Center for Policy Survey Research (PSR), um instituto de sondagens independente, dirigido pelo cientista político Khalil Shikaki, cujas investigações são levadas a sério em Washington e em Telavive. Para este inquérito, financiado pela Fundação Konrad Adenauer, da Alemanha, e conduzido após o colapso de negociações mediadas pelo Egipto para reconciliar a Fatah e o Hamas, foram entrevistados 1270 adultos em 127 localidades escolhidas ao acaso. A margem de erro é de 3 por cento.
Assim, segundo a pesquisa do PSR, a secular Fatah obteria, em legislativas, 42 por cento dos votos, contra apenas 28 por cento do movimento islamista. As restantes facções teriam no total uns 10 por cento. Os indecisos seriam 20 por cento. A queda de popularidade do Hamas, que em 2006 ganhou a maioria absoluta (74 dos 132 lugares do Conselho Legislativo Palestiniano), é visível nas projecções para o seu reduto na Faixa de Gaza: aqui conseguiria 25 por cento dos votos, contra 39 por cento da Fatah. Na Cisjordânia, a Fatah teria 46 por cento e o Hamas 32.
Quanto a eleições presidenciais, Mahmoud Abbas seria reeleito com 48 por cento dos votos contra 38 por cento do (demitido) primeiro-ministro Ismail Haniyeh, se este fosse o candidato do Hamas. Também em Gaza, Haniyeh estaria em desvantagem: 42 contra 46 por cento para Abbas. Na Cisjordânia, Abbas teria o apoio de 48 e Haniyeh de 36 por cento.
O favorito dos palestinianos continua a ser porém, Marwan Barghouti, líder da Intifada a cumprir sete penas de prisão perpétua em Israel. Se ele, defensor de uma solução de dois Estados, fosse a escolha da Fatah, triunfaria com 59 por cento contra 32 de Haniyeh, um “pragmático” que advogava a continuação do cessar-fogo, mas que não foi capaz de se impor à “linha dura”, representada por Mahmoud Zahar, ainda mais radical do que Khaled Meshaal, o líder no exílio em Damasco, que controla os fundos e a ligação do Hamas ao Hezbollah no Líbano.
A preferência por Barghouti é notória na Cisjordânia, o seu bastião, onde conquistaria 54 por cento dos votos, contra 39 de Haniyeh, mas é ainda mais expressiva em Gaza: 62 por cento desejam-no como presidente da Autoridade Palestiniana.
Agora, com a guerra em Gaza, a perspectiva de eleições foi adiada por tempo indeterminado. Abbas, que em Janeiro de 2005 recebeu 62 por cento dos votos para um mandato de quatro anos, alega que a legislação em vigor lhe permite manter-se em funções até 2010. O Hamas diz que já não lhe reconhece o cargo, mas que não vai exigir a sua demissão devido à operação militar em curso.
Se a lei fosse cumprida, Abbas seria substituído durante 60 dias, até novo acto eleitoral, pelo presidente do parlamento. Só que este, Abdel Aziz Dweik, do Hamas, foi condenado a 36 meses de cadeia por “filiação num grupo terrorista”.


