“Os Estados Unidos não estão, nem nunca estarão, em guerra com o islão”

06.04.2009 - 15:37 Por PÚBLICO
A primeira visita do Presidente Barack Obama a um país muçulmano está a ser aproveitada por Washington para lançar vários recados. Em Ancara, Obama defendeu sem qualquer ambiguidade a adesão turca à União Europeia, aconselhou ao diálogo entre a Arménia e a Turquia, avisou o Irão que deve escolher entre o nuclear e um futuro melhor para o seu povo. E reiterou o apoio a um estado palestiniano.
“Os Estados Unidos não estão, nem nunca estarão, em guerra com o islão”, assegurou o Presidente durante uma visita ao Parlamento, na qual aproveitou para anunciar um programa de ajuda aos países muçulmanos. “Queremos mostrar com acções concretas o nosso empenho num mundo melhor”, disse. “Queremos ajudar mais crianças, para que tenham uma educação que lhes abra as portas para o sucesso... Nos próximos meses apresentarei um programa específico para atingir esses objectivos”, cita a AFP.
Ao escolher terminar na Turquia esta ronda europeia – que começou no Reino Unido e passou por França, Alemanha e Praga – terá o líder americano pretendido enviar alguma mensagem? “A resposta é sim”, disse o próprio Obama aos jornalistas. O objectivo é falar da importância turca “não apenas para os Estados Unidos, como para o mundo”.
Os dois países poderão “construir um modelo de parceria” entre “um Estado maioritariamente cristão e uma nação maioritariamente muçulmana, entre uma nação ocidental e uma nação estendida por dois continentes”, adiantou Obama, citado pela CNN. O resultado será a criação de “uma comunidade internacional moderna que seja respeitadora, que seja segura, que seja próspera, que não haja tensões – tensões inevitáveis entre duas culturas”.
As palavras do Presidente norte-americano seguiram várias direcções. Uma delas (e inevitável dada a importância do assunto para o mundo muçulmano a que Obama pretendeu chegar) foi o conflito israelo-palestiniano, para o qual pediu optimismo.
“Sejamos claros: os Estados Unidos apoiam veementemente o objectivo de dois estados, Israel e Palestina, a viver lado a lado em paz e segurança”, afirmou. “Não devemos ceder ao pessimismo e à desconfiança. Devemos agarrar todas as oportunidades de progresso.”
Esta foi a primeira vez que Obama abordou publicamente o conflito no Médio Oriente desde que Benjamin Netanyahu assumiu o poder, há uma semana. Uma das primeiras declarações do novo ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, Avigdor Lieberman, foi dar Israel como “desligado” dos acordos de Annapolis, que estabelecem a criação de um Estado palestiniano.
“O objectivo com que as partes envolvidas se comprometeram foi esperar pelo Roteiro [para a paz] e por Annapolis. Será o objectivo que procurarei atingir enquanto Presidente”, adiantou. “Sabemos que o caminho que temos pela frente será difícil. Tanto os israelitas como os palestinianos têm de dar passos necessários para criar confiança”, cita a Reuters.
A questão do programa nuclear iraniano também foi abordada, com o Presidente a afirmar: “Os líderes iranianos têm de escolher se querem construir uma arma ou construir um futuro melhor para o seu povo”.
Tal como a da entrada turca na União Europeia. Obama saudou os avanços feitos quanto à liberdade de expressão e nos direitos da minoria curda. Mas pediu aos líderes de Ancara que acelerem ainda mais as reformas no capítulo dos direitos humanos para que sejam cumpridos os critérios de Bruxelas.


