Organizações africanas que lutam contra a malária recebem o prémio Príncipe das Astúrias

28.05.2008 - 13:15 Por PÚBLICO
Quatro organizações africanas ganharam hoje o prémio Príncipe das Astúrias de Cooperação Internacional pelo trabalho que fazem na luta contra a malária.
O Centro de Investigação de Saúde de Manhiça em Moçambique, o Centro de Investigação de Saúde e Desenvolvimento de Ifakara na Tanzânia, o Centro de Treino e Investigação da Malária no Mali e o Centro de Saúde e de Investigação de Kintampo no Gana foram reconhecidos pelo progresso que têm feito na procura de vacinas contra a malária e pela formação de profissionais de saúde.
Fundado em 1996 pelo médico espanhol Pedro Alonso, o Centro de Manhiça fica a 60 quilómetros de Maputo e dedica-se ao combate das doenças que mais problemas trazem aos países africanos como a sida, a tuberculose, a pneumonia e a diarreia.
Na área da malária, o centro fez um ensaio com um produto que é candidato a vacina chamado RTS,S. O estudo verificou que o químico reduz 65 por cento de novas infecções pelo parasita num período de três meses e 35 por cento num período de seis meses em crianças com menos de um ano. Segundo o centro, o RTS,S também protege crianças até aos quatro anos.
Este teste foi o maior ensaio feito em África. O centro conta com o apoio de organizações internacionais como a Agência Espanhola de Cooperação Internacional e a Fundação Bill e Melinda Gates.
O trabalho feito pelas outras três organizações tem incidido em novas drogas que combatem a doença, estratégias apropriadas para o controlo da malária e sistemas de vigilância regional. Todos os centros têm apoios de organizações internacionais que financiam a investigação.
A malária mata mais de um milhão de pessoas por ano. É provocada por várias espécies de parasitas do género Plasmodium consoante a área geográfica. Na África subsaariana a cada 30 segundos morre uma criança com menos de cinco anos.
O prémio Príncipe das Astúrias de Cooperação Internacional visa laurear as pessoas, organizações ou instituições que tenham contribuído com o seu trabalho para o “mútuo conhecimento, o progresso ou a fraternidade entre os povos”.
Este ano foram 23 os candidatos ao galardão. A cerimónia de entrega dos prémios vai ser em Outubro, em Oviedo e os vencedores vão receber 50 mil euros. No passado, a instituição premiou personalidades como Al Gore, Mário Soares ou Nelson Mandela.


