Orçamento comunitário: dirigentes europeus tentam acordo de última hora

17.12.2005 - 00:20 Por PUBLICO.PT, Com AFP e Reuters
Os dirigentes europeus lançaram-se esta noite numa maratona de negociações, numa derradeira tentativa para chegar a acordo sobre o próximo orçamento comunitário.
Segundo fontes diplomáticas, a principal dificuldade prende-se com exigências de última hora apresentadas pelo Polónia. “Esperamos ainda mais. Pretendemos uma soma suplementar de três mil milhões de euros”, afirmou uma fonte da delegação polaca, que considerou insuficiente os dois mil milhões de euros adicionais propostos pelo primeiro-ministro britânico.
Após dois dias de intensas negociações, Tony Blair apresentou esta noite aos seus parceiros europeus o que disse ser a “derradeira” proposta para um acordo, garantindo que representa um “conjunto justo e razoável”. “As pessoas devem agora decidir se querem ou não chegar a acordo", sublinhou Blair, à entrada para uma sessão plenária, após horas de encontros bilaterais.
Apresentado oficialmente já depois da meia-noite, o projecto prevê uma redução adicional de 2500 milhões de euros no reembolso que o Reino Unido recebe anualmente dos cofres europeus. Londres irá, assim, abdicar de um total de 10,5 mil milhões de euros dos 50 a 55 milhões de euros que deveria receber dos cofres comunitários entre 2007 e 2013, caso não fosse revisto este instrumento de excepção.
“O Reino Unido irá pagar a sua parte dos custos do desenvolvimento económico dos novos Estados-membros, mas vai manter o reembolso no que se refere aos restantes gastos”, afirmou.
A proposta britânica prevê também um aumento das verbas inscritas no próximo orçamento, para um montante total de 862,3 mil milhões de euros, ou seja 1,045 por cento do Rendimento Nacional Bruto da UE (RNB).
Este valor – idêntico ao proposto horas antes pela Alemanha – representa um aumento de 13,2 mil milhões de euros face à anterior proposta, sendo os fundos adicionais destinados ao desenvolvimento dos novos Estados-membros.
A proposta britânica prevê ainda que a totalidade das verbas inscritas no próximo orçamento, incluindo os fundos destinados à agricultura, serão revistas durante a sua vigência, possivelmente em 2008-2009.
Sinal de um crescente consenso, o Presidente francês, que até agora liderava a oposição à proposta britânica, afirmou, ao início da noite, que a cimeira se encaminhava “pouco a pouco para uma solução”. A concessão de Londres quanto ao “cheque britânico” agradou a Jacques Chirac, que pretende a extinção desta regalia do Reino Unido após 2013.


