Oposição paquistanesa ensaia coligação de interesses contra Musharraf

14.11.2007 - 17:45 Por PUBLICO.PT, Agências
A oposição paquistanesa está a tentar formar uma frente comum contra o Presidente Pervez Musharraf, apesar da dura repressão movida pelo regime que, nas últimas horas, deteve Imran Khan, antigo capitão da selecção de críquete e uma das figuras com maior visibilidade nos protestos das últimas semanas.
O antigo ídolo desportivo foi detido após uma semana na clandestinidade, quando participava numa manifestação na Universidade do Punjab, em Lahore, proibida no âmbito do estado de emergência em vigor há onze dias no país.
Segundo as autoridades, Khan vai ficar detido e será acusado de incitação à revolta, ao abrigo das leis antiterroristas, sendo a primeira vez que um dirigente da oposição é acusado de tais crimes.
“Vim aqui para participar numa manifestação de estudantes contra o ditador Musharraf e estas medidas ilegais”, disse aos jornalistas o antigo desportista, que estava na clandestinidade desde que Musharraf ordenou que os principais líderes da oposição fossem colocados em prisão preventiva. Apesar de fugido às autoridades, o capitão de selecção campeã do mundo de 1992 multiplicou as declarações hostis contra Musharraf, defendendo a sua condenação à morte.
Benazir Bhutto propõe coligação
Apesar da repressão, a oposição não dá sinais de desistência, mobilizada agora em torno da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto que ontem anunciou o rompimento das negociações que mantinha há dois anos com Musharraf, exigindo, primeira vez, o seu afastamento.
Bhutto está em prisão domiciliária em Lahore, depois de ter sido impedida pela polícia de liderar uma marcha de protesto em direcção a Islamabad, e nos últimos dois dias multiplicou os contactos com a oposição para a formação de uma frente unida contra o Presidente.
No topo das prioridades da oposição está o fim do estado de emergência – que o Presidente justifica com o receio de novos atentados por parte dos extremistas islâmicos – antes das legislativas previstas para Janeiro, as primeiras desde o golpe de Estado que colocou Musharraf no poder, em 1998. Na lista de contactos terá estado Imran Khan, que lidera um partido sem grande expressão nacional, mas também Nawaz Sharif, antigo primeiro-ministro e velho rival de Benazir Bhutto.
“Estamos prontos para pôr de lado as nossas diferenças com o Partido Popular do Paquistão”, garantiu hoje à Reuters o líder da Liga Muçulmana, exilado desde o golpe militar e que, ao contrário de Bhutto, não foi autorizado a regressar ao país para disputar as legislativas.
Segundo Latif Khosa, um parlamentar paquistanês próximo de Benazir Bhutto, a ex-primeira-ministra “está a tentar unir todos os partidos políticos em torno de uma agenda mínima” que passa pelo levantamento do estado de emergência e o afastamento de Musharraf.
Os EUA, que têm em Musharraf um importante aliado na luta contra o extremismo islâmicos na região, multiplicam os contactos para alcançar uma solução de compromisso – o fim do estado de emergência e a manutenção do Presidente – esperando-se a chegada nos próximos dias a Islamabad do secretário de Estado adjunto, John Negroponte.

