Ao mesmo tempo que o Supremo Líder iraniano, "ayatollah" Ali Khamenei, lançava um apelo à união nacional, os chefes da oposição exigiam o fim da “repressão” das autoridades.
Foi hoje noticiada a morte de um jovem, detido depois de uma manifestação contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad. Coincidência ou não, dois dos candidatos eleitorais e um antigo Presidente assinaram em conjunto um texto a exigir responsabilidades ao regime.
“Esperamos de vocês, os mais altos dignitários religiosos, que lembrem as autoridades das consequências nocivas do desrespeito pela lei, e que as impeçam de prosseguir com a repressão na Repúbica Islâmica”, avançam os rivais de Ahmadinejad, Mir-Hossein Moussavi e Mehdi Karroubi, e o ex-Presidente reformador Mohammad Khatami, nos seus sites.
A última vítima das detenções na prisão de Evin é filho de um conselheiro do também candidato Mohsen Rezaie. O site Mosharekat, que avançou a notícia, não explicou como nem quando Mohsen Ruholamini, filho de Abdolhossein Ruholamini, foi morto; apenas adiantou que foi detido a 9 de Julho, numa manifestação, e levado para Evin. De acordo com o mesmo site, “a família recebeu informações de que Mohsen seria libertado brevemente. Mas na quinta-feira à noite foram informados da sua morte”.
Vários grupos de direitos humanos acusam o regime de estar a encher as prisões com centenas de activistas reformadores, jornalistas, académicos e advogados. Ontem, numa centena de cidades pelo mundo, houve protestos na rua contra o desrespeito dos direitos humanos no Irão.
As presidenciais de 12 de Junho deram uma vitória esmagadora a Ahmadinejad, contestada pela oposição. E originaram a mais grave crise dos 30 anos de República Islâmica, com os confrontos a fazerem 20 mortos.
“Os desenvolvimentos dos últimos dias não devem dar lugar a diferendos”, disse Khamenei num discurso na televisão. E pediu aos diferentes grupos que coloquem de lado as divergências. “Devem todos trabalhar de forma fraterna para fazer avançar a nação. Ninguém deve lançar acusações sem fundamento. Devemos ser honestos. Devemos deixar de lado as nossas divergências”, indicou.
Mas foram tudo menos apaziguadoras as palavras usadas ontem pelo moderado Karroubi para se referir a como os detidos estão a ser tratados. “O comportamento dos agentes de segurança iranianos é pior que o dos sionistas [Israel] na Palestina ocupada... Podem pôr os detidos sob pressão mental em mesquitas, escolas e caves de escritórios governamentais?”, questionou numa carta enviada ao ministro dos Serviços Secretos, Gholamhossein Mohseni-Ejei, e citada pela Reuters.


