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Previstas 150 mil pessoas nas ruas contra Saakachvili

Oposição denuncia detenção de dezenas de activistas na Geórgia

09.04.2009 - 09:38 Por Dulce Furtado, com agências

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As manifestações de hoje constituem um teste "de contenção" crucial para Saakachvili As manifestações de hoje constituem um teste "de contenção" crucial para Saakachvili (Irakly Gedenidze/Reuters)
Um dos partidos da oposição georgiana denunciou esta manhã que cerca de 60 dos seus activistas foram detidos durante a noite, antes das manifestações maciças convocadas para hoje em protesto contra o regime do Presidente, Mikhail Saakachvili.

“Eles vinham para Tbilissi para participar nas manifestações”, afirmou a porta-voz do Movimento Democrático Unido (MDU) , organização partidária formada há um par de meses pela antiga speaker do Parlamento e ex-aliada de Saakachvili, Nino Burjanadze. Esta política veterana e muito respeitada na Geórgia é tida como potencial rival do Presidente em próximas eleições – um sufrágio não deve ocorrer senão 2013, depois de Saakachvili ter sido reconduzido nas antecipadas de Janeiro de 2008.

O Ministério do Interior, porém, nega aquelas acusações. “Não é verdade”, foi dito pelo porta-voz da tutela, Shota Utiachvili, citado pela agência noticiosa britânica Reuters. A mesma rejeição de que tenham sido detidos activistas do MDU ou qualquer outro partido da oposição foi feita em comunicado pelas hierarquias da polícia georgiana.

As manifestações de hoje – que a oposição espera virem a congregar nas ruas mais de 150 mil pessoas – constituem um teste "de contenção" crucial para Saakachvili. A oposição acusa-o de autoritarismo e arrogância, tendo-se desviado das promessas de reformas democráticas que o conduziram ao poder com a Revolução Rosa de 2003, que extraiu Tbilissi da esfera de influência política da Rússia e lançou o regime georgiano num rumo de ambição de adesão à NATO e União Europeia.

Com a guerra dos cinco dias, de Agosto passado, em que a Geórgia tentou recuperar o controlo das suas regiões separatistas da Abkházia e Ossétia do Sul – tentativa, de resto, rapidamente rechaçada pelas forças militares russas – a popularidade de Saakachvili, já contestada, sofreu um brutal abalo. Desde então o número de aliados perdidos foi aumentado cada vez mais, engrossando uma oposição que não é ainda, porém, coerente nem conquistou largo apoio eleitoral.

Mas nas ruas a contestação ao Presidente já deu sinais de força em Novembro de 2007, com vários de dias de protestos maciços aos quais o Presidente pôs termo enviando a polícia antimotim – o que lhe granjeou críticas veementes a Ocidente, incluindo os Estados Unidos, aliado de sempre, e cuja anterior Administração, de George W. Bush, via em Saakachvili “um farol de democracia” na região do Cáucaso.

Os analistas prevêem que não será fácil aos líderes da oposição controlarem as linhas mais duras dos manifestantes, sobretudo depois de há um par de semanas as autoridades georgianas terem feito sucumbir aquilo que descreveram como um “plano para fazer cair o Governo” – dez suspeitos foram detidos, sob a acusação de compra de armas, e muitas outras dezenas interrogados, incluindo o marido de Nino Burjanadze.

Durante esta noite centenas de polícias das unidades antimotim, assim como equipas de bombeiros, tomaram posição junto ao Parlamento, assim como perto da residência presidencial, relatava já esta manhã a Reuters.

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Geórgia

Se o bush o descreve como o farol da democracia no Cáucaso, de certeza que o povo o vai derrubar ...

António Batista

10.04.2009 16:30

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