Os principais dirigentes da dissidência cubana mostram-se divididos entre a esperança e a desconfiança, após o anúncio da renúncia de Fidel Castro a um novo mandato como Presidente de Cuba.
“Penso que fizeram o que era mais sensato. Talvez a razão e a lógica comecem a entrar um pouco no Governo cubano”, disse à AFP Vladimiro Roca, porta-voz do agrupamento cubano de centro-esquerda Todos Unidos.
Mas este ex-prisioneiro político, filho do fundador do Partido Comunista Cubano (o PCC, partido único) Blas Roca, continua céptico. “De qualquer modo, num ano e meio sem Fidel não houve qualquer mudança e agora também não vai haver”, disse ainda.
O facto de o velho dirigente cubano (Fidel tem 81 anos) não ter falado da sua retirada do posto de secretário do PCC não lhe parece muito importante. “Há muito tempo que o partido deixou de ser um órgão de poder. Aqui o poder era Fidel, a sua pessoa (...), a sua vontade.”
Osvaldo Paya, prémio Sakharov 2002 e animador cristão do “projecto Varel” a favor de uma transição democrática, considerou pelo contrário que a retirada de Fidel Castro é “uma coisa muito importante” e afirmou que o “povo de Cuba quer mudanças”.
“Mudanças quer dizer direitos, reconciliação, dar a voz ao povo, uma nova lei eleitoral, novas eleições”, disse, desejando que esta “nova etapa possa desenrolar-se em paz e de modo soberano para todos os cubanos sem exclusões”.
Manuel Cuesta Morua, um opositor social-democrata moderado, considerou “corajosa” a decisão do Presidente cubano, e previu que o país vai começar a normalizar-se”.


