Oposição aumenta pressão sobre Brown por causa de emails difamatórios

13.04.2009 - 09:49 Por PÚBLICO
A oposição britânica mantém a pressão sobre Gordon Brown, ao mesmo tempo que alguns trabalhistas exigem que se esforce mais para se afastar do escândalo dos emails que difamavam membros do Partido Conservador que rebentou durante o fim-de-semana e que não foi aplacado com a demissão do seu autor, Damien McBride.
O líder dos conservadores, David Cameron, está “furioso”, dizem os conservadores – o partido quer um pedido de desculpas, um inquérito e a garantia de que nada deste tipo alguma vez voltará a ser escrito em Downing Street. Cameron era um dos alvos dos emails onde se discutia um plano para criar um site destinado a publicar histórias difamatórias, desafiando por exemplo Cameron a revelar pormenores de uma “doença embaraçosa”.
Um porta-voz assegurou que ninguém em Downing Street sabia nada sobre estas mensagens “juvenis e inapropriadas” e que Brown considera que “não há lugar na política para a disseminação ou publicação de material deste tipo”. Mas os tories lembram que McBride fazia parte do grupo de indefectíveis de Brown que o acompanha desde que foi ministro das Finanças ou mesmo antes. E um tory citado pelo diário "The Times" afirma que “esta é a verdadeira natureza da máquina, há corrupção e imoralidade no coração de Downing Street”.
As dúvidas também chegam vindas do Labour. O antigo conselheiro económico de Tony Blair, Derek Scott, disse ao programa “Today” da Rádio 4 da BBC que apesar de não considerar que o primeiro-ministro seja directamente responsável, o recurso a estas tácticas de difamação reflecte uma cultura que vem do topo. “Penso que o tom, seja nos negócios, seja num partido político”, é dado de cima”, afirma Scott.
“O verdadeiro estrago é que eles pensem que estão a ser super leais com Brown e com o Partido Trabalhista, quando na verdade estão a prejudicar muito os trabalhistas.”
Esta semana, várias figuras de topo do partido vão dizer a Brown que ele deve “limpar” Downing Street se quer ter uma hipótese de vencer as próximas eleições, escreve o "Guardian". Segundo um destes militantes, “Damien McBride e os seus cúmplices pertencem ao passado de Brown, não ao futuro. Eles não têm condições para servir nenhum primeiro-ministro e certamente não o podem fazer na era das comunicações modernas. O Labour sofreu danos na sua reputação”.


