ONU vai relocalizar temporariamente 600 funcionários no Afeganistão para locais mais seguros

05.11.2009 - 09:10 Por PÚBLICO
As Nações Unidas anunciaram esta madrugada que vão transferir 600 dos seus funcionários não afegãos dos locais onde se encontram presentemente a trabalhar para outros considerados “mais seguros”.
A relocalização é temporária – de umas três a quatro semanas – e envolve funcionários “não essenciais” de todas as agências da ONU do total de 1300 estrangeiros que a organização tem no país.
Esta decisão segue-se ao raide da rebelião taliban de há uma semana a uma hospedaria em Cabul, durante o qual foram mortos cinco trabalhadores da ONU e três afegãos. Foi o ataque com o mais elevado número de vítimas mortais mortal entre pessoal das Nações Unidas desde a queda do regime dos estudantes de teologia em 2001.
A recolocação dos 600 funcionários não irá afectar o trabalho de distribuição de ajuda, uma vez que este é feito por funcionários afegãos da ONU, sublinhou o chefe da missão no Afeganistão, o norueguês Kai Eide. Algum daquele pessoal será conduzido a zonas mais seguras dentro do Afeganistão, outros transferidos para fora do país, devendo regressar aos seus postos assim que a segurança for “fortalecida” nas áreas de acomodação dos funcionários.
“Não estamos a falar de nenhuma retirada. Não estamos a falar de nenhuma evacuação”, fez questão de frisar o diplomata em conferência de imprensa feita esta manhã em Cabul.
A saída de funcionários da ONU do território constitui um passo de retrocesso para a estratégia do Presidente norte-americano, Barack Obama, para o Afeganistão – a qual aposta num cada vez maior aumento da presença de ajuda internacional civil a par de um aumento de tropas no combate à rebelião taliban.
Para afastar tais leituras, o porta-voz da ONU Aleem Siddique insistiu igualmente que as Nações Unidas “continuam determinadas em manter todos os programas e actividades” que desenvolve no Afeganistão. “Mas como é óbvio, depois do que aconteceu na semana passada, temos mesmo que analisar como podemos garantir que os nossos funcionários consigam continuar a desenvolver esses mesmos programas e actividades e ao mesmo tempo garantir a segurança deles”, avançou.

