Uma comissão do Conselho de Segurança das Nações Unidas retirou os nomes de cinco antigos líderes do governo taliban da lista de pessoas suspeitas de terrorismo. É um passo há muito pedido por Cabul para abrir caminho a uma paz negociada com os “estudantes de teologia”.
A notícia chega na véspera da Conferência Internacional que amanhã vai discutir o futuro do Afeganistão e da ajuda internacional ao país em Londres. E num momento em que todas as partes envolvidas defendem com crescente insistência a via negocial para tentar pôr fim a uma guerra cada vez mais mortífera. Esta semana foi a vez do principal comandante militar no terreno, o general norte-americano Stanley McChrystal vir a público afirmar que “já houve demasiada guerra” e que todos os conflitos acabam com a negociação.
Kai Eide, que até Março será o enviado especial das Nações Unidas para o Afeganistão pediu no início da semana que alguns nomes fossem retirados da “lista de terroristas” da organização, criada em 2001, depois do 11 de Setembro. Assim foi: a ONU anunciou ter retirado cinco nomes da lista, incluindo o de Wakil Ahmad Muttawakil, ex-ministro e homem de confiança do líder mullah Mohammed Omar, e de quatro outros nomes.
A Associated Press diz que os restantes são o antigo ministro adjunto do Comércio, Faizl Mohammed Faizan; o ex-ministro adjunto dos Assuntos de Fronteiras que renunciou aos taliban há três anos e é já governador, Abdul Hakim Monib; Mohammad Musa Hottak, ex-ministro adjunto do Planeamento que entretanto foi eleito para o Parlamento; e um antigo assessor de imprensa, Shams-ul Safa Aminzai.
“Dou as boas vindas à medida, mas precisamos de mais da ONU. Há ainda muitos nomes nessa lista que deveriam ser retirados”, afirmou Muttawakil, citado pelo site do “El País”. “Como primeiro passo, é uma boa medida de reconciliação”, disse ainda o homem que vive na clandestinidade desde o derrube do regime dos “estudantes de teologia”.
A lista das Nações Unidas inclui os nomes de 144 taliban e de 257 alegados membros da Al-Qaeda.



