As Nações Unidas pediram um combate à fraude eleitoral no Afeganistão, depois de centenas de casos de irregularidades estarem a pôr em cheque as presidenciais de 20 de Agosto.
O representante da ONU no país, Kai Eide, afirmou que todos os votos provenientes das urnas onde foram cometidas fraudes deveriam ser anulados.
O embaixador norte-americano em Cabul, Karl Eikenberry, e responsáveis da ONU estiveram ontem reunidos com o Presidente Hamid Karzai – a quem os primeiros resultados parciais aproximam da vitória já na primeira volta – para dar a conhecer as suas preocupações, noticiaram a CNN e a BBC.
De acordo com a estação norte-americana, os diplomatas pediram a Karzai que indique à Comissão Eleitoral Independente que investigue aprofundadamente os casos de fraude eleitoral e verifique quais os votos válidos, e que aplique um padrão de exigência elevado para determinar que votos devem ser contabilizados.
A BBC adianta que Eide escreveu hoje um comunicado a pedir às autoridades que garantam a legitimidade dos resultados e que estes reflictam o desejo dos eleitores afegãos.
Só no fim-de-semana foram anulados 200 mil boletins, provenientes de 447 estações de voto. Mas teme-se que as irregularidades sejam bastante mais elevadas: poderão ter atingido cerca de um milhão de votos (quase um quarto de todos os boletins), segundo fontes da norte-americana ABC.
A Comissão Eleitoral recebeu 2500 queixas de fraude, e considerou que 560 poderão afectar a contagem final. Karzai precisa de 50 por cento (conseguiu até agora 48,6 por cento) para evitar uma segunda volta com Abdullah Abdullah, o seu principal rival, que leva 31,7 por cento.
A Comissão Eleitoral refere que a maioria dos boletins anulados provem das províncias do Sul, que tradicionalmente apoiam Karzai, adianta a AFP.


