A secretária-executiva da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, Christiana Figueres, lamentou que o Canadá tenha deixado o Protocolo de Quioto, mas avisou que o país não está isento de reduzir as suas emissões de CO2.
“Seja ou não parte do Protocolo de Quioto, [o Canadá] tem a obrigação legal, ao abrigo da Convenção, de reduzir as suas emissões”, disse Figueres, num comunicado.
Adoptada em 1992, a convenção diz que os países desenvolvidos têm de ser os primeiros a reduzir as suas emissões. “Os países industrializados cujas emissões aumentaram significativamente desde 1990, como é o caso do Canadá, permanecem numa posição fraca para exigir que os países em desenvolvimento limitem as suas emissões”, completou Figueres.
Além do Canadá – que formalmente vai deixar Quioto – o Japão e a Rússia já anunciaram que não irão aceitar novas metas no segundo período de cumprimento do protocolo. Sem os Estados Unidos, que nunca ratificaram o acordo, e estes três países, Quioto congrega apenas um terço das emissões de CO2 dos países industrializados e uma parcela ainda menor das emissões mundiais.
Um futuro acordo envolvendo compromissos de todos os países – entre eles grandes economias emergentes, como a China, Índia e Brasil – é a solução esperada para o problema. Na cimeira climática da ONU que terminou domingo passado em Durban, a comunidade internacional fixou um prazo até 2015 para a adopção de um novo acordo, para vigorar a partir de 2020.
Segundo o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) – o braço científico da ONU nesta área – as emissões mundiais deveriam atingir o seu pico muito antes de 2020 e cair drasticamente a seguir, se se quiser manter o aquecimento global a 2ºC, um limite considerado tolerável. Para isso, os países desenvolvidos teriam de reduzir em 25% a 40% as suas emissões até 2020. “Isto deve ser tido em conta no pacote [que vier a ser aprovado].
Desde a cimeira climática de Copenhaga, em 2009, países desenvolvidos e em desenvolvimento assumiram, numa base voluntária e não vinculativa, várias promessas para limitar as suas emissões. Os valores, porém, não chegam para se atingir o cenário do IPCC.
Notícia corrigida às 09h15 de 15 de Dezembro, substituindo "em desenvolvidos" por "em desenvolvimento.



