A grande novidade sobre a disponibilidade dos taliban para negociar a paz no Afeganistão não veio dos "estudantes de teologia", mas de responsáveis da ONU ouvidos em Londres pelas agências de informação.
O chefe da organização em Cabul, o norueguês Kai Eide, que deixa o posto em Março, reuniu-se em Janeiro com comandantes regionais do Conselho de Quetta dos Taliban, a liderança próxima de mullah Omar.
Em cima da mesa esteve a possibilidade de baixar as armas. Já houve contactos entre Cabul e os "estudantes de teologia", mas nunca, ao que se sabe, envolvendo membros deste conselho. "Eles pediram uma reunião. Queriam protecção. Não queriam ir parar a sítios como Bagram", disse um responsável à Reuters, referindo-se à prisão onde os EUA mantêm 600 suspeitos de terrorismo nos arredores de Cabul.
A reacção oficial dos taliban aos apelos a uma paz negociada da conferência de Londres contraria esta disponibilidade: o encontro não passou de um "instrumento de propaganda", diz um comunicado, colocado online e divulgado pelo SITE (centro que vigia sites islamistas), denunciando ainda o plano do Presidente Karzai para oferecer dinheiro e empregos aos taliban moderados.



