ONU incentiva Iraque a encontrar alternativas ao pagamento de indemnizações de guerra

27.07.2009 - 19:24 Por PÚBLICO
O Iraque deve encontrar soluções alternativas ao pagamento de indemnizações pela guerra do Kuwait e resolver as divergências que surgiram sobre o assunto, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, num relatório publicado esta segunda-feira.
O Iraque paga actualmente cinco por cento das suas receitas de petróleo a um fundo especial das Nações Unidas para reparações de guerra, devido à invasão do Kuwait em 1990, país vizinho e rico em petróleo.
“Tomei nota do pedido do Iraque para a redução, ou anulação definitiva, da percentagem paga pela invasão do Kuwait”, indicou Ban Ki-moon no relatório. “Encorajo fortemente o Iraque e outras partes interessadas a discutir soluções alternativas para o problema das compensações e créditos, inclusivamente sob a forma de investimentos, para interesse mútuo do povo iraquiano e de toda a região”, acrescentou o secretário-geral da ONU.
Hamid al-Bayati, embaixador iraquiano na ONU, pediu em Junho ao Conselho de Segurança a redução do pagamento a que o Iraque está sujeito de cinco para 2.5 por cento.
Ban Ki-moon lembrou que o Iraque já pagou 27.1 milhões de dólares em reparações de guerra ao Kuwait. Sublinhou que “é importante reconhecer que o Iraque de hoje é muito diferente do Iraque de 2003”, quando as forças americanas invadiram o país e derrubaram Saddam Hussein, que governava num regime ditatorial desde 1979.
“Tenho esperança de que o Conselho de Segurança analise este relatório no sentido de tomar decisões que ajudem o Iraque a cumprir as suas obrigações dentro dos prazos convenientes”, acrescentou Ki-moon. O secretário-geral das Nações Unidas apelou ao Iraque e ao Kuwait para encontrarem “medidas inovadoras para resolver o problema dos créditos num espírito generoso de compromisso e compreensão das preocupações recíprocas”.
O apelo do Iraque foi reforçado pelos Estados Unidos, que expressaram na passada semana o seu apoio aos esforços iraquianos para a anulação dos pagamentos de guerra.
Barack Obama afirmou na semana passada querer “cooperar com o Iraque para o dispensar das sanções impostas após a guerra do Golfo” e acrescentou que “continuar a prejudicar o Iraque pelas acções cometidas por um ditador derrubado é um erro”. O primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki procura a reconstrução económica do país e a normalização das relações com os países vizinhos e indicou numa visita à Casa Branca que “o presidente Obama e o governo americano concordam com o facto de o Iraque já não representar uma ameaça à paz e à segurança internacionais”.

