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Fretilin apresentou moção de censura

ONU e outras entidades criticam Xanana por libertação de suspeito indonésio

16.09.2009 - 11:23 Por PÚBLICO

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Nações Unidas, Tribunal de Recurso, Igreja e partidos estão a criticar o Governo de Xanana Gusmão por ter tomado a decisão política de mandar libertar o indonésio Martenus Bere, acusado de crimes contra a humanidade.

"Os meios legais de libertar alguém da prisão não foram seguidos, portanto o que aconteceu é uma espécie de interferência", disse hoje o representante em Díli do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Louis Gentile.

"Se não há julgamento em Timor-Leste e não há um julgamento adequado na Indonésia, então o Conselho de Segurança tem de considerar que opção poderá haver para levar essas pessoas perante a justiça, incluindo um tribunal internacional", acrescentou Gentile, quanto à situação de um homem acusado de envolvimento na chacina de 199 na igreja de Suai, aquando do referendo em que os timorenses optaram pela independência.

"Devemos perdoar, mas antes de podermos perdoar deve haver justiça", disse por seu turno o bispo católico de Baucau, D. Basílio do Nascimento, ao apoiar a declaração do Presidente do tribunal de Recurso, Cláudio Ximenes, segundo o qual só o tribunal pode prender e libertar prisioneiros.

"Se começarmos a ignorar as regras, a nossa independência não tem qualquer valor. Timor pode ser independente, mas se alguém aparece e nos dá ordens no nosso próprio país quanto a toda a espécie de questões, então estamos a estabelecer um precedente que muito em breve qualquer pessoa poderá ser detida e depois vir alguém lançar poeira e os nossos narizes começam a espirrar", acrescentou D. Basílio.

Entretanto, a Fretilin, principal força política do país, actualmente na oposição, apresentou uma moção de censura ao Governo pela libertação de Maternus Bere, na sequência de cuja acção em Suai teriam morrido 200 pessoas. O partido monárquico KOTA apoiou a moção, que em breve deverá ser debatida pelo Parlamento.

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