As Nações Unidas promovem, a partir de hoje uma reunião em Berna, Suíça, para discutir a crise alimentar mundial. Para Jean Ziegler, mandatário da ONU para o direito à alimentação, este é “um dia fundamental para todos os que têm fome no mundo”.
Ziegler acaba o mandato na quarta-feira. Mas hoje, em conferência de imprensa em Berna, aproveitou ainda para frisar a sua opinião sobre o papel dos biocombustíveis na crise alimentar. Para ele reside aqui a grande causa da fome no mundo. Ziegler pediu uma moratório total sobre os biocombustíveis e acusa esta indústria de estar por trás da súbita escalada do preço dos cereais.
Condenou ainda o esforço da Organização Mundial do Comércio (OMC) para que sejam concluídas as negociações de Doha e acusou Pascal Lamy, director-geral da OMC de estar “contra os interesses dos povos mártires da fome”.
Segundo a OMC os países ricos deviam baixar os apoios aos agricultores e os países pobres baixar as tarifas industriais. Mas as negociações sobre quanto baixar de um lado e de outro e a avaliação de custos e benefícios das medidas empurraram a proposta para uma indefinição.
Para Ziegler, a especulação é também responsável por 30 por cento do aumento do preço dos produtos alimentares e está também por trás das recentes interdições à exportação de arroz em grandes países produtores.


