O Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizou hoje a União Africana (UA) a enviar uma força de paz para a Somália, a qual poderá suceder em seis meses uma força da ONU.
Numa resolução redigida pelo Reino Unido e adoptada por unanimidade, o Conselho “autoriza os Estados membros da União Africana a estabelecer, por um período de seis meses, uma missão na Somália, que estará habilitada a tomar todas as medidas necessárias” para cumprir o seu mandato. Essa missão será chamada Amisom.
O mandato consiste, essencialmente, em ajudar a estabelecer a segurança e estabilidade do país, em guerra civil desde 1991.
A resolução não indica o número de soldados que serão destacados mas a União Africana, que já tinha dado luz verde à Amisom, fixou os seus efectivos em cerca de oito mil homens.
A missão deverá “apoiar o diálogo e a reconciliação na Somália ao ajudar a garantir a livre circulação, passagem e protecção a todos os envolvidos no processo” político.
Além disso, deverá “garantir a protecção das instituições federais de transição”.
Milhares de civis fogem de Mogadíscio
Hoje, milhares de pessoas fugiram de Mogadíscio, onde ontem à noite doze civis morreram e 30 ficaram feridos, atingidos por obuses de morteiro que visavam forças governamentais e o Exército etíope, marcando uma nova escalada da violência na capital da Somália.
“Qualquer lado da Somália é melhor do que Mogadíscio. Mogadíscio está, em parte, tomada por homens armados independentes e à noite é uma batalha entre as forças governamentais da Somália, ajudadas por tropas etíopes, e uma espécie de movimento de resistência islâmica”, explicou uma mãe de sete crianças, Asha Osman, que se preparava para abandonar a cidade.
Segundo o vice-ministro da Defesa, Salat Ali Jelle, os tiros visaram ontem à noite a sede do Ministério da Defesa, a presidência e o hospital militar.


