Duas organizações não governamentais israelitas (ONG) publicaram hoje um relatório em que descrevem a Faixa de Gaza como uma “grande prisão” para os seus habitantes, por estarem impedidos de sair para a Cisjordânia ou para Israel.
O relatório, elaborado pela B' Tselem e Moked [Centro] de defesa do indivíduo, considera que apesar das promessas de levantamento de restrições feitas na cimeira de Charm el-Cheikh, no Egipto, a 8 de Fevereiro, a situação "praticamente não melhorou".
O documento refere palestinianos privados de ver os seus cônjuges há vários anos, como é o caso daqueles em que um vive na Cisjordânia e outro na Faixa de Gaza e nenhum pode atravessar o território israelita, que separa a duas regiões.
De acordo com as ONG, a dificuldade de acesso de palestinianos ao mercado de trabalho israelita também sofreu graves retrocessos, pois neste momento menos de duas mil pessoas da Faixa de Gaza têm autorização de trabalho em Israel, um número significativamente inferior às 26.500 autorizadas antes do início da Intifada de Setembro de 2000 e às mais de cem mil, há uma década atrás.
É sublinhado ainda que mais de 77 por cento dos 1,3 milhões de habitantes da região são pobres, citando dados do Banco Mundial e do Departamento Palestiniano de Estatística.
O desemprego na Faixa de Gaza é outro dos pontos sensíveis que o documento aborda, sublinhando que 44 por cento da população activa não tem trabalho na região, onde 60 por cento da população tem menos de 18 anos.
Israel prevê retirar este verão da Faixa de Gaza – uma das regiões mais densamente povoadas do mundo –, e desmantelar os seus 21 colonatos aí implantados, onde vivem cerca de oito mil israelitas.
As autoridades judaicas anunciaram, porém, que não tencionavam aumentar o número de licenças de entrada a palestinianos no seu território, após a retirada.


