OMS preocupada com a possibilidade de o vírus H1N1 se conjugar com o da gripe das aves

18.05.2009 - 16:56 Por PÚBLICO
O mundo tem bons motivos para estar receoso de que a nova estirpe do vírus da gripe H1N1 se recombine com outras estirpes, entre as quais o da gripe das aves (H5N1), e se torne muito mais perigoso, avisou a directora da Organização Mundial de Saúde (OMS).
“Temos todos os motivos pare recear uma interacção do novo H1N1 com outros vírus”, que pode, por exemplo, ser a versão normal desta estirpe, que causa a gripe sazonal, e recentemente adquiriu o truque de resistir ao ataque do oseltamivir, o medicamente antiviral de que os países fizeram “stocks” prevendo a chegada de uma epidemia global de gipe.
“Não devemos esquecer-nos, nunca, de que o H5N1 se estabeleceu em vários países”, disse Chan, na abertura da assembleia geral da OMS, em Genera. “Ninguém pode prever como se comportará o vírus da gripe das aves em presença de um número importante de pessoas contaminadas com o novo tipo de H1N1”, sublinhou Chan, que era responsável pelos serviços de saúde de Hong Kong quando se deu o surto da pneumonia atípica (conhecida pela sigla em inglês SARS).
Ainda hoje foi noticiada mais uma morte humana, no Egipto, devido à contaminação com o vírus da gripe das aves – aliás, tem havido recentemente várias mortes de pessoas naquele país que contraíram a estirpe H5N1. Este vírus é bem mais mortal do que o H1N1: até agora, os epidemiologistas calculam que mate 62 por cento dos raros humanos que já infectou. Mas raramente consegue infectar seres humanos.
No entanto, se os genes das duas estirpes do vírus da gripe (a nova H1N1 e o H5N1 altamente patogénico) se recombinarem, poderá surgir um doença de pesadelo: uma gripe muito mortal, que se transmite com facildade. Essa mistura integra os cenários de catástrofe estudados pela OMS.
Até agora, o novo tipo de vírus H1N1 já infectou 8820 pessoas em 40 países e fez 74 vítimas mortais. “A propagação está a continuar”, disse Margaret Chan.
Um novo motivo de preocupação é o Japão, onde parece existir um foco de transmissão sustentado: já foram referenciados 125 casos, desde o fim-de-semana. Isto fez com surgissem apelos a elevar o nível de alerta pandémico de 5 para 6, mas por ora a OMS continua no nível 5 (de iminente epidemia global).


