A braços com vários escândalos de corrupção, Ehud Olmert anunciou hoje que vai demitir-se da chefia do Governo israelita assim que o partido Kadima eleger um novo líder, nas primárias de 17 de Setembro, e garantiu que não se vai recandidatar ao cargo.
“Decidi não concorrer às [eleições] primárias no Kadima, nem pretendo intervir no processo eleitoral”, anunciou o primeiro-ministro, numa declaração feita na sua residência oficial, em Jerusalém, e que apanhou de surpresa os analistas.
“Após a eleição do meu sucessor, vou demitir-se [do cargo] de primeiro-ministro para permitir-lhe formar rapidamente um novo Governo”, acrescentou Olmert, explicando que vai abandonar o poder para provar a sua inocência em tribunal.
Nos últimos meses, Olmert foi alvo de várias investigações por suspeitas de corrupção enquanto foi presidente da câmara de Jerusalém e ministro do Comércio. “Abandonarei as minhas funções como deve ser, de forma honrada, justa e responsável, tal como fiz ao longo de todo o meu mandato. Em seguida provarei a minha inocência”, declarou.
Apesar de ter admitiu que cometeu “erros” no passado, o primeiro-ministro denunciou a perseguição de que diz estar a ser alvo e sublinhou os progressos conseguidos na economia e nas negociações de paz desde que substitui Ariel Sharon na liderança do Governo israelita, em Janeiro de 2006.
A imprensa israelita adianta que quatro ministros estão na corrida pela liderança do Kadima – o partido centrista criado em 2005 pelo ex-primeiro-ministro Ariel Sharon para levar por diante os seus planos para a retirada dos territórios autónomos – entre eles a chefe da diplomacia israelita, Tzipi Livni, dada como favorito, e o responsável pela pasta dos Transportes, Shaul Mofaz.
Assim que for eleito o novo líder, Olmert apresentará a demissão ao Presidente, Shimon Peres, que deverá atribuir a tarefa de formar Governo ao deputado que esteja em melhores condições de garantir uma maioria parlamentar.
Este terá um prazo de 28 a 42 dias para formar um novo Governo, eventualmente renovável, mas o actual cenário político em Israel faz crer que um acordo poderá demorar meses a ser conseguido, podendo mesmo conduzir à realização de eleições antecipadas – cenário que agrada ao conservador Benyamin Netanyahu, líder do Likud, apontado como favorito nas sondagens.
A demissão de Olmert deixa, assim, num limbo o actual processo de paz israelo-palestinianas, apesar das pretensões dos Estados Unidos de conseguir um acordo até ao final do ano. Também os primeiros passos para encetar conversações de paz com a Síria, país com o qual Israel permanece em guerra, dificilmente terão seguimento a curto prazo.



