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Violência final foi transmitida em directo na televisão

Oito turistas chineses foram mortos nas Filipinas no resgate de autocarro sequestrado

23.08.2010 - 21:37 Por Jorge Heitor

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O assalto ao autocarro, feito por polícias de choque, foi criticado por Hong Kong O assalto ao autocarro, feito por polícias de choque, foi criticado por Hong Kong (Erik de Castro/REUTERS)
Rolando del Rosario Mendoza manteve sob sequestro durante mais de dez horas um autocarro em Manila, no qual viajavam 25 turistas, na sua maior parte de Hong Kong. Oito turistas, e o sequestrador, morreram durante a violenta operação de resgate feita por 30 polícias do corpo de intervenção filipino e transmitida em directo na televisão.

Mendoza, antigo inspector da polícia, com a patente de capitão, estava revoltado por em 2008 ter sido afastado da corporação, alegadamente por se ter envolvido em roubos, extorsão e até mesmo narcotráfico. E agora, com 55 anos, pretendia ser readmitido.

O sequestro verificou-se pelas 9h00 locais (1h00 em Lisboa) e só terminou depois de uma série de polícias de choque terem cercado o veículo e partido com martelos os vidros das janelas e das portas. Um atirador furtivo atingiu Mendonza na cabeça.

Durante as primeiras horas do sequestro, o capitão na reserva libertou nove reféns. O condutor do autocarro, que era filipino, tal como a guia e um fotógrafo, conseguiu fugir e disse às autoridades que Mendoza teria já começado a matar prisioneiros.

Alguns disparos foram ouvidos quando a polícia se aproximou, mas o cerco ainda se arrastou durante algum tempo, no Parque Rizal, vulgarmente conhecido como Luneta.

Pouco depois de os vidros terem sido partidos, um corpo foi visto dependurado da porta dianteira do veículo, e uns quantos reféns começaram a sair pela porta traseira, tendo dali seguido para hospitais. As imagens televisivas mostraram depois uma série de corpos a serem retirados.

“O sequestrador foi morto. Escolheu enfrentar os nossos homens”, disse à imprensa o coronel da polícia Nelson Yabut.

“No nosso primeiro assalto, o capitão Mendoza alvejou um dos nossos operacionais. No segundo assalto matámo-lo.”

Mendoza, de 55 anos, estava armado com uma espingarda de assalto M16. O seu irmão, Gregório, que foi preso, contou que ele estava furioso por causa da forma como fora “tratado e despedido” pela polícia. O capitão Mendonza foi um dos polícias denunciados pelo chef de um hotel de Manila de o terem acusado falsamente de tráfico de droga, exigindo dinheiro para não o prenderem.

Ao efectuar o sequestro, pretenderia assegurar que lhe seria paga por inteiro uma pensão de reforma.

“Já não estava no seu perfeito juízo. Sentia que tinha perdido a vida ao ser despedido”, afirmou o irmão à televisão Al-Jazira.

Hong Kong criticou a actuação das autoridades filipinas. “É lamentável. A forma como lidaram com o caso, em especial o resultado final, é um grande desapontamento”, disse o chefe do governo de Hong Kong, Donald Tsang.

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Élio Prates

24.08.2010 18:26

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