O Presidente norte-americano voltaria a dar a ordem para uma operação como a que matou Osama bin Laden, se tivesse informações sobre a localização de outro terrorista no Paquistão.
Os Estados Unidos, afirmou Barack Obama numa entrevista à BBC horas antes de iniciar uma visita à Europa, sabem que o Paquistão é um país soberano, mas não podem permitir “que sejam desenvolvidos planos [de ataques] sem agirem”.
Bin Laden foi localizado por Washington numa cidade dos subúrbios da capital paquistanesa, Islamabad, onde fica situada a principal academia militar do Paquistão, e o raide em que foi morto, no dia 1 de Maio, decorreu sem conhecimento das autoridades do país aliado.
“A nossa missão é tornar os EUA seguros”, afirmou Obama, quando questionado sobre o que faria se o líder dos taliban, mullah Omar, fosse localizado algures no Paquistão ou noutro país soberano. “Não podemos permitir que alguém esteja a planear activamente matar o nosso povo ou o povo dos países nossos aliados.”
O Paquistão tem protestado com veemência por causa do raide sem aviso e garante que não tolerará novas missões deste tipo. A morte de Bin Laden, sustentou Obama na entrevista à televisão pública britânica, pode ser “uma chamada de atenção, um momento para procurarmos uma relação de cooperação mais eficaz” com o Paquistão.
Sobre a longa guerra afegã, Obama admitiu que o conflito não pode ser revolvido pela via militar, mas defendeu que o reforço de tropas que ordenou o ano passado enfraqueceu os taliban, de uma forma que pode agora permitir negociar uma reconciliação política. “No fim de contas, é preciso falar com os taliban”, disse, acrescentando que os “taliban terão de cortar todos os laços com a Al-Qaeda, renunciar à violência e respeitar a Constituição afegã”.
Obama deixará os EUA ainda no domingo, começando a sua visita europeia pela República da Irlanda. Seguir-se-á o Reino Unido, a França, onde vai decorrer a reunião do G8, e a Polónia.



